MPF dá 48 horas para prefeitura de MS explicar ameaças de envenenamento contra indígenas
Lideranças indígenas denunciam ameaça de envenenamento de água em aldeia de MS O Ministério Público Federal em Mato Grosso do Sul (MPF/MS) deu prazo de 48 horas para que a Prefeitura de Tacuru se manifeste sobre ameaças de envenenamento contra indígenas da região, atribuídas a um servidor municipal. Entenda aqui o que se sabe e o que falta esclarecer sobre caso de ameaças a indígenas em MS Entre o
Redação Diário Pantanal
28/10/2026, 17:45


Lideranças indígenas denunciam ameaça de envenenamento de água em aldeia de MS
O Ministério Público Federal em Mato Grosso do Sul (MPF/MS) deu prazo de 48 horas para que a Prefeitura de Tacuru se manifeste sobre ameaças de envenenamento contra indígenas da região, atribuídas a um servidor municipal.
Entenda aqui o que se sabe e o que falta esclarecer sobre caso de ameaças a indígenas em MS
Entre os esclarecimentos solicitados pelo órgão estão a apuração da autoria e da autenticidade das gravações, além da investigação sobre a divulgação dos áudios com intimidações direcionadas aos povos indígenas.
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O MPF também quer saber quais medidas foram adotadas para garantir a segurança das comunidades e a continuidade dos serviços essenciais prestados aos indígenas.
Além disso, o órgão recomendou o afastamento do servidor e a abertura de um Processo Administrativo Disciplinar (PAD). Segundo o prefeito de Tacuru, Rogério Torquetti, as duas medidas já foram adotadas. O caso é acompanhado pelo 6º Ofício da Procuradoria da República em Dourados (MS). Apuração sobre supostos ataques em Naviraí O procurador da República Marco Antonio Delfino de Almeida também instaurou uma apuração sobre supostos homicídios que teriam sido motivados por conflitos políticos em Naviraí, no sul de Mato Grosso do Sul.
Na cidade, porém, lideranças das comunidades indígenas Kurupi e Mboreviry negaram a ocorrência de ataques contra seus integrantes. Em resposta a pedidos de informação, a 4ª Promotoria de Justiça de Naviraí e a Prefeitura Municipal esclareceram que o caso registrado na cidade foi uma tentativa de duplo homicídio decorrente de um desentendimento familiar, sem motivação política ou étnica. As autoridades também informaram que fotografias relacionadas ao crime circularam na internet de forma adulterada e fora de contexto, sendo falsamente associadas a um suposto ataque contra indígenas.
A análise de documentos oficiais e consultas ao sistema interno do MPF (RADAR/SPPA) indicaram que as duas vítimas, identificadas como Junho Alves Fernandes e Renan Willian de Souza Vieira, não possuem histórico de pertencimento indígena. O mesmo foi verificado em relação aos familiares. Para complementar a apuração, o MPF/MS encaminhou um ofício à Secretaria de Saúde Indígena (Sesai) solicitando uma verificação nos cadastros de assistência do órgão. Deputadas cobraram providências As deputadas federais Sônia Guajajara e Célia Xakriabá cobraram providências dos Ministérios da Justiça e dos Povos Indígenas, do Ministério Público Federal (MPF) e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) diante das ameaças de envenenamento da água consumida por indígenas Guarani Kaiowá de Tacuru, em Mato Grosso do Sul.
As parlamentares protocolaram um ofício em caráter de urgência nos órgãos, solicitando a apuração dos fatos, a identificação e a responsabilização dos envolvidos, além da adoção de medidas imediatas para garantir a segurança das comunidades indígenas no estado. “É fundamental que as autoridades competentes atuem com urgência para proteger vidas e assegurar que essas ameaças não fiquem impunes”, publicou Sônia Guajajara nas redes sociais. Da esquerda para direita, Célia Xakriabá (PSOL-MP) e Sônia Guajajara (PSOL-SP).
Reprodução/Instagram. O áudio com as ameaças, que faz referência à água consumida pelos indígenas da Aldeia Sassoró, em Tacuru, teria sido gravado por um servidor da prefeitura do município. Segundo o prefeito Rogério Torquetti, o funcionário foi afastado após a repercussão do caso e é alvo de um Processo Administrativo Disciplinar (PAD). O nome do funcionário público não foi divulgado. A suspeita de que a declaração tenha sido feita por um funcionário da prefeitura, após a reeleição do presidente Lula (PT), foi denunciada por lideranças indígenas nesta terça-feira (27).
Veja o vídeo acima. O caso também levou o governo federal a acionar a Polícia Federal (PF) para investigar as ameaças. Diante da polêmica, o prefeito de Tacuru pediu que a comunidade perdoasse o comentário do servidor. Investigação O governo federal acionou a Polícia Federal (PF) para investigar denúncias de ameaças e manifestações racistas contra povos indígenas de Mato Grosso do Sul após o segundo turno das eleições presidenciais de 2026. Entre os relatos estão denúncias de mortes, atropelamentos e ameaças em outras cidades do estado.
A Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública de Mato Grosso do Sul (Sejusp-MS) e a Polícia Federal não confirmaram mortes relacionadas à violência política. LEIA TAMBÉM: PF investiga envenenamento e ameaça a indígenas em MS após reeleição de Lula: 'Tem que matar essas pragas na água' As denúncias ganharam repercussão após publicações nas redes sociais feitas pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB). A entidade acionou o Ministério dos Povos Indígenas (MPI), que encaminhou à PF uma denúncia sobre o caso de Tacuru e pediu a apuração dos fatos. 🔎O ministro dos Povos Indígenas, Eloy Terena, afirmou que o governo federal mapeia denúncias de ameaças e violência contra comunidades indígenas, quilombolas e povos de terreiro em Mato Grosso do Sul e em outras regiões do país.
Segundo ele, os ministérios dos Povos Indígenas, dos Direitos Humanos e da Igualdade Racial formaram uma força-tarefa para dar prioridade aos casos. “Tomei conhecimento ontem deste fato gravíssimo e ontem mesmo nossa equipe fez contato, qualificou as informações e ontem mesmo acionei a Polícia Federal”, afirmou o ministro ao g1. Denúncia relata falas racistas e ameaça contra aldeia em Tacuru Entrada de Tacuru. Reprodução Instagram. O Ministério dos Povos Indígenas encaminhou à Polícia Federal, na segunda-feira (26), uma denúncia apresentada por um representante da Aldeia Sassoró, em Tacuru.
Segundo o documento ao qual o g1 teve acesso, a comunidade relatou manifestações racistas e discriminatórias atribuídas a pessoas supostamente ligadas à prefeitura do município. Conforme a denúncia, áudios de um servidor público de Tacuru circularam pelo WhatsApp. O conteúdo mencionava a possibilidade de colocar substâncias tóxicas na água consumida pelos moradores. A identidade de quem gravou não foi divulgada e as circunstâncias da conversa são apuradas. O documento também informa que as pessoas citadas estariam ligadas à prestação de serviços públicos na aldeia, como o abastecimento de água por caminhão-pipa e a coleta de resíduos da escola e do posto de saúde.
O ministério pediu à PF que investigue a origem e a autenticidade dos áudios, identifique os responsáveis e avalie se houve crime. Também solicitou a análise de medidas preventivas para proteger a comunidade e garantir a segurança da água consumida pelos moradores. O próprio MPI informou no documento que não há comprovação de que a água tenha sido contaminada e pediu investigação. Cacique diz que vai buscar responsabilização O cacique Ivan Montiel, liderança da Aldeia Sassoró e vereador de Tacuru, publicou um vídeo nas redes sociais em que condena as falas atribuídas a pessoas citadas na denúncia.
Ele afirmou que pretende buscar a responsabilização dos envolvidos nas esferas criminal e cível. No vídeo, Montiel disse que recebeu o áudio e a comunidade já identificou as pessoas envolvidas. A identidade dos citados e a participação deles no caso, no entanto, ainda precisam ser verificadas pelas autoridades. “Eu gostaria de deixar aqui na condição de cacique e vereador da aldeia Sassoró que não vamos aceitar este tipo de preconceito contra nossa comunidade, ameaçando colocar veneno em água”, afirmou.
Montiel também defendeu o direito dos indígenas de escolher livremente seus candidatos nas eleições. “Porque nós povos indígenas temos o direito, como qualquer cidadão, de escolher quem vamos votar”, disse. A Aty Guasu, Grande Assembleia dos povos Guarani e Kaiowá de Mato Grosso do Sul, também publicou uma manifestação contra o racismo, o preconceito e as ameaças denunciadas. APIB relata mortes, atropelamentos e ameaças em outras cidades Acidente aconteceu na madrugada de sábado (24), na MS-289 PMR A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil informou que acionou órgãos federais após receber denúncias de violência contra indígenas em Mato Grosso do Sul.
Segundo a entidade, os relatos incluem casos ocorridos após o segundo turno das eleições presidenciais. Entre os casos citados pela APIB estão mortes em Naviraí, atropelamentos em Coronel Sapucaia, ameaças de morte e manifestações racistas. A entidade também relatou suspeitas de envenenamento da água em comunidades de Tacuru e Nioaque. A organização encaminhou um ofício e uma representação criminal ao Ministério Público Federal (MPF), à Polícia Federal e a órgãos do governo federal, incluindo os ministérios da Justiça e Segurança Pública, dos Povos Indígenas e dos Direitos Humanos e da Cidadania.
A APIB pediu a investigação dos casos, a proteção das comunidades ameaçadas e a apuração de possíveis omissões das forças policiais. Em nota, a entidade manifestou preocupação com os relatos e cobrou medidas para proteger as comunidades indígenas e responsabilizar os envolvidos, caso as denúncias sejam confirmadas. Um indígena, que não teve o nome divulgado, morreu após ser atropelado na madrugada de sábado (24), na MS-289, no trecho entre Coronel Sapucaia e Amambai. Ainda não se sabe a circunstância do acidente que acabou em morte.
Sejusp nega ocorrência de genocídio Procurada pelo g1, a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública de Mato Grosso do Sul afirmou que não procede à afirmação de ocorrência de genocídio contra povos indígenas no estado. Em nota, a pasta declarou que as forças de segurança atuam quando acionadas para preservar a ordem pública, prevenir conflitos e garantir a segurança das pessoas envolvidas. Leia a nota na íntegra abaixo: "A Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública de Mato Grosso do Sul (Sejusp-MS) informa que não procede a afirmação de ocorrência de genocídio de povos indígenas no Estado.
As forças de segurança atuam mediante acionamento, com o objetivo de preservar a ordem pública, prevenir conflitos e garantir a segurança de todos os envolvidos, contribuindo para a manutenção da paz no campo e a prevenção de confrontos em áreas rurais". O g1 também procurou o Conselho Indigenista Missionário (Cimi) e a Polícia Civil. O Cimi informou que apura as ocorrências. Veja vídeos de Mato Grosso do Sul:
Fonte: g1 Mato Grosso do Sul



