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Salários de servidores públicos ajudam a movimentar comércio e serviços em MS

A remuneração dos servidores públicos representa uma fonte regular de renda que contribui para movimentar supermercados, farmácias, lojas, restaurantes, postos de combustíveis e empresas prestadoras de serviços em Mato Grosso do Sul. Esse efeito é percebido tanto em Campo Grande, maior cidade do estado, quanto em municípios pequenos, como Paraíso das Águas. Representantes de associações empresaria

Redação Diário Pantanal

28/10/2026, 10:00

Salários de servidores públicos ajudam a movimentar comércio e serviços em MS

A remuneração dos servidores públicos representa uma fonte regular de renda que contribui para movimentar supermercados, farmácias, lojas, restaurantes, postos de combustíveis e empresas prestadoras de serviços em Mato Grosso do Sul. Esse efeito é percebido tanto em Campo Grande, maior cidade do estado, quanto em municípios pequenos, como Paraíso das Águas. Representantes de associações empresariais das duas cidades e do Sebrae/MS destacam que a previsibilidade dos pagamentos favorece o consumo e pode contribuir para o faturamento dos pequenos negócios, a manutenção de empregos e a circulação de recursos nos municípios.

Para o presidente da Acicg (Associação Comercial e Industrial de Campo Grande), Omar Aukar, a folha salarial do funcionalismo tem importância para diferentes segmentos da economia da Capital. “A folha salarial dos servidores públicos tem um papel importante na economia de Campo Grande, pois representa uma fonte significativa de renda que movimenta o comércio e o setor de serviços”, afirma. Segundo Aukar, esse efeito ganha força no fim do ano, com o pagamento do 13º salário, que amplia o poder de compra das famílias e favorece as vendas em supermercados, lojas, restaurantes e empresas prestadoras de serviços.

Em Paraíso das Águas, o presidente da Aciaspa (Associação Comercial e Empresarial de Paraíso das Águas), Thyago Faustino Fonseca, também destaca a importância da remuneração do funcionalismo para a economia local. “Quando esse servidor público recebe seu salário, esse recurso movimenta a nossa cidade. Esse servidor gasta nos supermercados, nas lojas, abastece seu veículo, nos postos de combustíveis, utiliza serviços e consome nos estabelecimentos locais”, afirma. Na avaliação de Fonseca, essa circulação de renda tem relevância especial nos municípios menores, onde os pagamentos aos servidores ajudam a sustentar o comércio e contribuem para a manutenção de empregos.

O analista técnico do Sebrae/MS, Lucas Borelli, explica que os salários dos servidores representam uma fonte importante de circulação de renda, especialmente nas cidades de pequeno e médio porte. “Quando esses recursos são gastos dentro do próprio município, em mercados, farmácias, restaurantes, prestadores de serviços e demais pequenos negócios, cria-se um ciclo virtuoso de desenvolvimento econômico local”, explica. De acordo com Borelli, o dinheiro gasto no comércio pode retornar à economia por meio da contratação de trabalhadores, das compras de fornecedores locais e de novos investimentos.

Ele ressalta, porém, que a permanência desses recursos no município depende também da competitividade das empresas. “Quando o comércio local oferece qualidade, preço justo e bom atendimento, reduz-se a necessidade de buscar alternativas em outros municípios ou na internet, mantendo a renda circulando dentro da própria cidade.” O analista também aponta oportunidades para os pequenos negócios, como ações promocionais em períodos de pagamento, fidelização de clientes, melhoria do atendimento, presença digital e parcerias entre estabelecimentos locais.

Realidades diferentes Campo Grande e Paraíso das Águas apresentam diferenças expressivas de porte populacional e dimensão econômica. A Capital é o município mais populoso do estado, com 970.843 habitantes estimados em 2026. Seu PIB (Produto Interno Bruto) alcançou R$ 42,27 bilhões em 2023, segundo os dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Já Paraíso das Águas, o mais novo dos 79 municípios sul-mato-grossenses, tem população estimada em 5.904 habitantes.

No Censo de 2022, ocupava a 70ª posição no ranking estadual de população. Apesar do pequeno porte populacional, o município registrou PIB de aproximadamente R$ 1,39 bilhão em 2023 e PIB per capita de R$ 252,2 mil, o segundo maior de Mato Grosso do Sul naquele ano. A diferença de porte entre as cidades ajuda a ilustrar como a renda do funcionalismo pode contribuir para a atividade comercial em realidades econômicas distintas, embora o volume de recursos e os padrões de consumo não sejam os mesmos.

Folhas de pagamento Em Campo Grande, a Prefeitura informou à reportagem que possui aproximadamente 29.830 servidores ativos. O Campo Grande News também procurou a administração municipal para obter informações sobre o volume de recursos destinado mensalmente à folha de pagamento e seus reflexos na economia, mas não recebeu retorno sobre esses dados. Diante disso, a reportagem recorreu ao Relatório de Gestão Fiscal publicado no Diogrande (Diário Oficial de Campo Grande), edição nº 8.483, de 28 de setembro de 2026, referente ao segundo quadrimestre do ano.

Com base no demonstrativo, foi calculado um total de R$ 240,93 milhões em remunerações e benefícios brutos em agosto de 2026, sendo R$ 183,37 milhões em vencimentos, vantagens e outras despesas variáveis dos servidores ativos e R$ 57,55 milhões em aposentadorias e pensões. O cálculo exclui R$ 41,20 milhões em obrigações patronais, que são despesas da administração, mas não representam pagamentos diretos aos trabalhadores. O valor também não considera descontos individuais, como Imposto de Renda, contribuições previdenciárias e empréstimos consignados.

Portanto, não corresponde ao montante efetivamente recebido pelos beneficiários ou integralmente destinado ao consumo. No âmbito estadual, o Campo Grande News procurou a SAD (Secretaria de Estado de Administração) e a Sefaz (Secretaria de Estado de Fazenda) para obter informações sobre o volume mensal da folha de pagamento, mas não obteve retorno. A reportagem utilizou, então, os dados oficiais disponíveis na página Folha de Pagamento, do Portal de Dados Abertos do Governo de Mato Grosso do Sul.

Conforme os registros de agosto de 2026, a soma das remunerações após as deduções obrigatórias alcançou R$ 695,1 milhões, distribuídos em 91.578 registros de vínculos funcionais, incluindo servidores ativos, aposentados e pensionistas. Os registros representam vínculos, não necessariamente pessoas distintas. Segundo o governo, os dados divulgados não consideram descontos pessoais, como pensão alimentícia, empréstimos e planos de saúde. Assim, o valor também não equivale necessariamente ao total efetivamente depositado nas contas dos beneficiários.

Os levantamentos municipal e estadual adotam critérios diferentes e não podem ser simplesmente somados para calcular o volume de dinheiro disponível para consumo na economia local. Desenvolvimento local Para o Sebrae/MS, o efeito econômico da remuneração dos servidores pode ser ampliado quando os municípios oferecem condições para que os recursos permaneçam circulando entre empresas e consumidores locais. Borelli explica que essa é uma das propostas do programa Cidade Empreendedora, que busca fortalecer o ambiente de negócios e a atuação das administrações municipais.

Segundo ele, além de consumidores, os servidores públicos contribuem para o desenvolvimento econômico por meio de atividades como atendimento a empreendedores, simplificação de processos, compras públicas e apoio às cadeias produtivas locais. “Quando esses atores trabalham de forma integrada, cria-se um ambiente mais favorável para empreender, investir e gerar empregos”, afirma.

Fonte: Campo Grande News

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