Já pensou comer sem enxergar? Mulheres encaram jantar às cegas
Imagine sentar à mesa para um jantar sem saber exatamente o que está prestes a comer. Em vez de olhar o prato, é preciso confiar no olfato, no paladar e na textura de cada alimento. Foi essa a experiência vivida por 21 mulheres na última sexta-feira (23), em Campo Grande. Vendadas, elas participaram de um jantar às cegas, no qual cada garfada trazia uma surpresa e a proposta era descobrir os sabor
Redação Diário Pantanal
27/10/2026, 08:45

Imagine sentar à mesa para um jantar sem saber exatamente o que está prestes a comer. Em vez de olhar o prato, é preciso confiar no olfato, no paladar e na textura de cada alimento. Foi essa a experiência vivida por 21 mulheres na última sexta-feira (23), em Campo Grande. Vendadas, elas participaram de um jantar às cegas, no qual cada garfada trazia uma surpresa e a proposta era descobrir os sabores de uma maneira diferente. A ideia partiu da cirurgiã-dentista Vanessa Hoffmann Boretti, de 39 anos, que reuniu as participantes em sua casa e convidou o chef Marcílio Galeano para preparar o cardápio.
Conhecida também pelas viagens que compartilha nas redes sociais, Vanessa já visitou mais de 70 países e decidiu levar para o cotidiano uma das sensações de que mais gosta quando está longe de casa: a descoberta do desconhecido. Dessa vez, ninguém precisou fazer as malas. Bastou colocar uma venda nos olhos e se permitir experimentar. Para o jantar, Marcílio preparou uma sequência de pratos pensada para despertar os sentidos. A preocupação não estava apenas no sabor, mas também na combinação de texturas, temperaturas e temperos.
Sem a visão, detalhes como a crocância de um ingrediente ou a intensidade da pimenta ganhavam mais atenção. Entre as entradas estavam brie empanado com mel de quincã e toque cítrico, ceviche de peixe branco com leite de coco e milho crocante, burrata com tomate confit, pesto e focaccia, além de gnocchi ao molho de espumante. Como prato principal, o chef serviu risoto de filé-mignon ao funghi, com a carne já cortada em tirinhas para facilitar a degustação sem o uso de faca.
Para encerrar a experiência, a sobremesa foi uma pavlova de frutos vermelhos, feita com merengue crocante, creme leve e frutas frescas. A combinação de sabores e texturas fazia parte da proposta de despertar o paladar das participantes, que precisavam descobrir os ingredientes sem enxergar os pratos. "A gente tem todo um cuidado de fazer um cardápio harmonizado, que tem a função de trabalhar a textura, a questão da pessoa morder e sentir a crocância, que faz uma diferença na comida, a questão do sal e da pimenta", explica o chef.
Marcílio conta que já realiza experiências semelhantes em eventos e feiras de turismo, em parceria com iniciativas ligadas ao setor. A proposta também envolve apresentar ingredientes e influências da culinária regional. Ao final das degustações, os participantes conhecem melhor os pratos e suas histórias. "É muito mais do que um simples jantar", afirma. Segundo ele, o formato já foi apresentado em cidades como São Paulo e Rio de Janeiro, e a recepção do público incentivou a realização de novos encontros.
Uma viagem sem sair da cidade – O jantar não surgiu por acaso. A experiência faz parte do Clube Entre Destinos, criado por Vanessa em junho deste ano. A intenção é reunir mulheres que gostam de viajar, mas também querem experimentar atividades diferentes sem precisar sair de Campo Grande. "Eu queria trazer para o cotidiano o que me encanta nas viagens", explica. Para ela, conhecer pessoas de diferentes idades, profissões e histórias é uma das melhores partes de explorar outros lugares.
A proposta também nasceu das experiências que Vanessa teve viajando sozinha, com amigos, com o marido e até com as filhas pequenas. Durante as viagens, especialmente quando se hospedava em hostels, ela conhecia pessoas que dificilmente encontraria em seu círculo habitual. Foi essa liberdade de conversar com desconhecidos, experimentar coisas novas e sair da rotina que decidiu transformar em encontros mensais. "Sempre tive essa vontade de aprender coisas novas e, de certa forma, me incomodava ter que me inscrever em algo quando eu só queria experimentar para ver se gostava", conta.
O primeiro encontro do clube teve ioga acompanhada de vinho, com uma conversa sobre a importância de fazer pausas e reservar tempo para os próprios sonhos. Depois vieram uma oficina de aquarela, em que cada participante pintou o destino que gostaria de conhecer, e um piquenique no Parque das Nações Indígenas, com discussão sobre medo e coragem a partir do livro Mil Milhas, de Tamara Klink. Também houve pintura de taças com degustação de bombons, em uma atividade dedicada à liberdade.
Vanessa explica que a intenção não é transformar as experiências em cursos permanentes. "A intenção é trazer experiências novas e essa questão de surpresa para o nosso dia a dia, de ter sempre algo novo para a gente fazer", afirma. Os encontros acontecem uma vez por mês, geralmente aos fins de semana, e costumam reunir de 10 a 15 mulheres. O jantar às cegas foi uma exceção, com 21 participantes. Quando a procura ultrapassa a capacidade de determinada atividade, Vanessa procura organizar outra data.
Não é necessário participar de todos os encontros, mas ela conta que muitas mulheres acabam voltando e criando vínculos que ultrapassam a programação oficial. Algumas já combinam passeios extras, como idas ao cinema. Próximas experiências – O calendário do Clube Entre Destinos já tem atividades previstas até o fim do ano. Em novembro, a organização realiza uma oficina de bordado em fotografia, com o Estúdio da Patti. Para dezembro, prevê uma experiência de produção de velas, em parceria com a Lua Alquimias.
Vanessa faz questão de valorizar as profissionais envolvidas nas atividades, pois considera o apoio entre mulheres parte importante da proposta. Para participar, basta acompanhar a programação pelo site www.clubeentredestinos.com.br ou pelo Instagram @clubeentredestinos. Os valores variam conforme a atividade, os materiais, a alimentação e as lembranças incluídas. Não há necessidade de fidelização. Para Vanessa, o objetivo é que cada encontro seja uma pequena viagem, mesmo sem sair da cidade.
E, como mostrou o jantar às cegas, às vezes basta deixar de enxergar o prato para descobrir algo novo.
Fonte: Campo Grande News



