Em missa de Finados, Dom Vitório pede amor aos vivos e acolhe saudade
Entre lágrimas, orações e lembranças de quem já partiu, a missa de Finados no Cemitério Memorial Park, em Campo Grande, reuniu fiéis na manhã desta segunda-feira (2). Conduzida por Dom Vitório Pavanello, a celebração começou por volta das 9h e terminou às 10h30, com todas as cadeiras ocupadas e pessoas acompanhando de pé. Em meio à emoção das famílias, o religioso deixou uma mensagem que foi além
Redação Diário Pantanal
02/11/2026, 11:45

Entre lágrimas, orações e lembranças de quem já partiu, a missa de Finados no Cemitério Memorial Park, em Campo Grande, reuniu fiéis na manhã desta segunda-feira (2). Conduzida por Dom Vitório Pavanello, a celebração começou por volta das 9h e terminou às 10h30, com todas as cadeiras ocupadas e pessoas acompanhando de pé. Em meio à emoção das famílias, o religioso deixou uma mensagem que foi além da homenagem aos mortos: é preciso também cuidar de quem continua vivo. Durante a celebração, algumas pessoas choraram ao ouvir as palavras do religioso.
Dom Vitório destacou que a fé na vida eterna deve ser acompanhada por gestos concretos de amor, solidariedade e atenção aos mais necessitados. “Porque a palavra de Deus é palavra de vida eterna. E a vida eterna é o amor de Deus que vem até nós oferecer os meios para que nós alcancemos a alegria, a realização da nossa vida com Ele no céu”, afirmou. Para o religioso, a esperança de reencontrar aqueles que morreram também deve orientar a maneira como as pessoas se relacionam no presente.
“Se nós acolhermos a vida eterna, teremos que amar-nos uns aos outros num gesto de serviço e abnegação”, completou. A mensagem encontrou acolhimento entre famílias que mantêm a tradição de visitar os túmulos e participar da missa todos os anos. A doméstica Neusa Ribeiro Vasco, de 75 anos, tem o pai, a mãe, um irmão e uma sobrinha sepultados no Memorial Park. Mesmo com tantas perdas, faz questão de voltar ao cemitério a cada Dia de Finados para participar da celebração e prestar suas homenagens.
“Sinto bem, né, aqui. Sinto aquele conforto e a paz, né? Que Deus abençoe, a gente vem para fazer o que pode”, declarou Neusa, para quem a visita é uma maneira de preservar a ligação com os familiares e encontrar tranquilidade em meio à saudade. A auxiliar de consultório bucal Prisciele Magalhães Peccoli, de 50 anos, também participa da missa todos os anos. No Memorial Park estão sepultados seu pai e sua irmã. As palavras de Dom Vitório, segundo ela, ajudam a aliviar a dor da ausência e reforçam a esperança de que os dois estejam em paz.
“Eu acredito sim que eles estão melhor que a gente. Eles sofreram com a doença, então acredito que agora eles estão mais em paz”, afirmou. Tradição de Finados - A celebração no Memorial Park faz parte de uma programação religiosa que movimenta os cemitérios de Campo Grande nesta segunda-feira. Missas, cultos evangélicos e apresentações musicais estão entre as atividades organizadas para receber familiares e amigos de pessoas falecidas. Nos cemitérios públicos Santo Amaro, Santo Antônio e São Sebastião, as homenagens seguem ao longo do dia, com visitação até as 17h.
No Santo Amaro, maior cemitério público da Capital, com 47.606 lápides, o movimento começou tranquilo. Conforme mostrou o Campo Grande News nesta manhã, parte das famílias antecipou as visitas para o fim de semana, enquanto outras chegaram cedo para acender velas, levar flores e recordar os familiares. Entre os visitantes estava Joana Dantas, que costuma ir ao cemitério a cada 15 ou 20 dias para visitar os túmulos da filha, dos pais e da cunhada. Ao falar da ausência dos familiares, resumiu o sentimento que acompanha tantas pessoas nesta data: “Dói, bate a saudade”.
Na véspera de Finados, outra reportagem do Campo Grande News mostrou crianças e adolescentes do Clube de Desbravadores da Igreja Adventista do Sétimo Dia ajudando famílias a preparar túmulos no Cemitério Santo Antônio. A iniciativa reuniu gerações em torno de uma tradição de cuidado e homenagem. No Memorial Park, a manhã foi marcada por essa mesma combinação de memória, fé e solidariedade. Para quem voltou ao cemitério em busca de conforto, a celebração ofereceu um momento de oração e a possibilidade de transformar a saudade em esperança.
A mensagem de Dom Vitório reforçou que a homenagem aos mortos não precisa terminar no cemitério. Também pode continuar fora dele, no cuidado com as pessoas que permanecem vivas.
Fonte: Campo Grande News


