Com tintas e peças de gesso, artesão já levou arte gratuita a 650 pessoas
Uma mesa cheia de bichinhos, personagens e figuras de gesso pode parecer apenas uma exposição de artesanato. Mas, quando chegam os pincéis e as tintas, cada peça ganha uma história diferente. É assim que funciona o projeto Educando com Arte, que percorre escolas e comunidades de Mato Grosso do Sul com oficinas gratuitas de pintura. A iniciativa já atendeu cerca de 650 pessoas, entre crianças e adu
Redação Diário Pantanal
27/10/2026, 08:45

Uma mesa cheia de bichinhos, personagens e figuras de gesso pode parecer apenas uma exposição de artesanato. Mas, quando chegam os pincéis e as tintas, cada peça ganha uma história diferente. É assim que funciona o projeto Educando com Arte, que percorre escolas e comunidades de Mato Grosso do Sul com oficinas gratuitas de pintura. A iniciativa já atendeu cerca de 650 pessoas, entre crianças e adultos. Por trás do projeto está o marceneiro Edson Moreira de Barros, que descobriu o gosto pelo artesanato há cerca de 20 anos, ao acompanhar o trabalho da irmã, Miriam de Barros, moradora do Bairro Aero Rancho, em Campo Grande.
Acostumado a trabalhar com madeira, ele se encantou pelas peças de gesso. "Eu comecei a ficar encantado com aquilo. Até que um dia vi ela pintar gesso. Quando olhei, falei: nossa, é isso que eu gosto", relembra. A descoberta não virou profissão de imediato. Durante anos, Edson dividiu o tempo entre a marcenaria e o artesanato, comprando moldes e guardando materiais. Aos poucos, começou a oferecer oficinas em cidades como Corumbá, Aquidauana, Maracaju e Rio Verde. "O meu prazer é dar aula.
Tenho o maior prazer de sentar e estar ensinando", conta. Nas oficinas, as crianças encontram peças de diferentes formatos, como tucanos, araras, periquitos, cavalos e pequenos porta-trecos. Cada uma escolhe o que deseja pintar e recebe orientações para combinar as cores. Edson prefere levar figuras com poucos detalhes, para facilitar o trabalho de quem está começando. "Tem peças muito complicadas. Então, a gente não leva essas para as crianças pintarem. Mesmo que elas gostem, a gente escolhe as mais fáceis", explica.
Antes de chegar às oficinas, as peças são produzidas pelo próprio artesão. Ele mistura gesso com água, coloca a massa nos moldes e espera cerca de 15 minutos até endurecer. Depois da secagem, elas estão prontas para receber as tintas. Atualmente, Edson tem cerca de 350 moldes de diferentes figuras. E o melhor vem no fim: ninguém precisa devolver a obra. Cada criança leva para casa a peça que pintou, seja para guardar ou presentear alguém da família. "Quando a criança pinta, ela ganha.
Vai para ela", explica. Muitas escolhem fazer presentes para mães e avós. Para Edson, ver a alegria de quem termina o trabalho vale mais do que qualquer pagamento. Uma das experiências que mais marcaram sua trajetória aconteceu durante atividades do projeto Criança Feliz, na região do Dom Antônio Barbosa. Depois de 3 encontros com as crianças, ele percebeu a ausência dos responsáveis e decidiu convidar as famílias para participar da quarta oficina. O resultado foi uma tarde em que pais e mães puderam sentar ao lado dos filhos e ajudar na pintura.
"A gente sentiu aquela alegria ao ver o sorriso que a criança faz. Ela sabia que pintou, ficou bonitinho. Esse sorriso da criança é o nosso pagamento", relata. Oficinas – Como o espaço próprio do projeto ainda passa por melhorias, as oficinas acontecem principalmente em escolas, associações e eventos comunitários. Quando uma instituição solicita a atividade, a equipe prepara os materiais e leva as peças até o local. O trabalho é gratuito, embora os organizadores peçam, quando possível, ajuda com gesso e tinta para atender grupos maiores.
"Às vezes, a gente vai pensando que são 30 ou 40 pessoas, mas chegam 100, 150. Então, acaba gastando bastante material", explica. O projeto também conta com a participação da esposa e da filha do artesão, que ajudam na organização das atividades. Para ele, a colaboração da família é importante, especialmente quando precisa transportar caixas de peças, pincéis, aventais e tintas. A proposta é que qualquer instituição interessada possa solicitar uma oficina, desde que seja possível organizar o atendimento e garantir as condições necessárias para receber os participantes.
Entre os próximos compromissos estão atividades com crianças de uma comunidade na região da Rua Sol Nascente, onde o projeto pretende realizar encontros duas vezes por mês. Também há oficinas previstas para novembro, incluindo uma atividade que deve reunir aproximadamente 150 participantes. A intenção é ampliar o alcance do Educando com Arte e atender cada vez mais escolas e comunidades. Uma escola de pintura no futuro – Enquanto percorre os bairros, Edson trabalha para concluir um espaço próprio, onde pretende oferecer aulas de pintura em gesso.
O local já conta com mesas e cadeiras, mas ainda precisa de banheiro e outras melhorias antes de receber turmas regularmente. “Estou preparando para fazer uma escola de pintura para o projeto”, conta. Ele também planeja produzir os próprios moldes, em vez de depender apenas dos modelos comprados, para aumentar a variedade de peças e reduzir os custos. “Se eu conseguir fazer a forma, aí a gente vai fazer dez formas de cada. Na hora de fazer o gesso, num dia vou fazer 200 peças”, explica.
O sonho é transformar o Educando com Arte em uma referência no Estado e levar as oficinas a municípios que ainda não receberam a iniciativa. Para ajudar a manter o trabalho gratuito, ele também considera ampliar a venda de peças artesanais. Mais do que comercializar objetos, porém, quer continuar ensinando. "A gente quer fazer desse projeto uma referência para outras pessoas", afirma. Para quem descobriu a pintura quase por acaso, a maior recompensa continua sendo ver uma criança sair da oficina com uma peça colorida nas mãos e um sorriso no rosto.
Os interessados em solicitar oficinas gratuitas podem entrar em contato pelo telefone (67) 99336-6848. O espaço onde funcionará a escola de pintura fica na Rua Miguel Baltha, 167, no Bairro Bosque da Esperança.
Fonte: Campo Grande News



