Diário Pantanal
—
Campo GrandeConsultando tempo…

Carne e soja puxam alta dos preços industriais e acendem alerta em MS

Os preços da indústria de alimentos subiram 2,40% em setembro e foram os que mais contribuíram para a alta dos preços industriais no Brasil. O resultado, divulgado nesta terça-feira (27) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), coloca em destaque produtos como carne bovina e derivados da soja, que fazem parte de duas das principais cadeias produtivas de Mato Grosso do Sul. Segu

Redação Diário Pantanal

27/10/2026, 15:00

Carne e soja puxam alta dos preços industriais e acendem alerta em MS

Os preços da indústria de alimentos subiram 2,40% em setembro e foram os que mais contribuíram para a alta dos preços industriais no Brasil. O resultado, divulgado nesta terça-feira (27) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), coloca em destaque produtos como carne bovina e derivados da soja, que fazem parte de duas das principais cadeias produtivas de Mato Grosso do Sul. Segundo o levantamento, os preços das indústrias extrativas e de transformação avançaram 1,54% em setembro, depois de registrarem alta de 0,34% em agosto.

No acumulado de 2026, o aumento chegou a 5,04%, enquanto a variação em 12 meses ficou em 4,34%. Entre as 24 atividades industriais pesquisadas, 16 apresentaram aumento de preços na comparação com agosto. A indústria de alimentos teve a terceira maior variação mensal, atrás das indústrias extrativas, com 11,04%, e do refino de petróleo e biocombustíveis, com 4,88%. Apesar de ocupar a terceira posição em percentual de aumento, o setor alimentício exerceu a maior influência sobre o resultado geral.

Sua contribuição foi de 0,58 ponto percentual para a alta de 1,54% registrada pela indústria brasileira. O levantamento identifica influência positiva das carnes bovinas frescas, refrigeradas e congeladas sobre os preços industriais. Também aparecem entre os produtos que contribuíram para a elevação os resíduos da extração de soja e o óleo de soja bruto. Esses movimentos têm importância para Mato Grosso do Sul, onde a pecuária bovina, a indústria frigorífica e o processamento de grãos integram cadeias produtivas voltadas tanto ao mercado interno quanto à exportação.

No caso da carne, a valorização na indústria pode estar relacionada a diferentes fatores, como oferta de animais para abate, demanda doméstica e comportamento das exportações. Entretanto, o levantamento nacional não permite identificar qual desses elementos teve maior influência sobre os preços praticados em Mato Grosso do Sul. A mesma ressalva vale para a soja. A valorização dos derivados pode afetar a receita das indústrias processadoras, mas também representa um possível fator de pressão sobre os custos de produção de outras atividades, especialmente aquelas que utilizam farelo de soja na alimentação animal.

Reflexos no Estado - O IPP (Índice de Preços ao Produtor) acompanha a evolução dos preços recebidos pelas indústrias na venda de seus produtos, sem considerar impostos e fretes. Por isso, os resultados não representam diretamente os valores pagos pelos consumidores nos supermercados. O levantamento também não apresenta indicadores específicos para Mato Grosso do Sul. Dessa forma, a alta nacional não significa necessariamente que frigoríficos e indústrias de processamento instalados no Estado tenham registrado aumentos na mesma proporção.

Para avaliar os efeitos locais, será necessário verificar o comportamento dos preços pagos aos produtores, das vendas industriais e das margens de comercialização ao longo dos últimos meses. No cenário nacional, a aceleração dos preços industriais ocorre após um período de variações mais moderadas. Em setembro de 2025, o indicador acumulava queda de 3,86% no ano. Em igual período de 2026, registra alta de 5,04%, indicando uma mudança importante na trajetória dos preços recebidos pelas indústrias.

Fonte: Campo Grande News

Leia também