Santa Casa da Capital quer reduzir serviços e leitos para estancar crise
Após frustrar a expectativa de assinar novo contrato para atendimento pela rede pública de Mato Grosso do Sul, a Santa Casa de Campo Grande anunciou que pretende enxugar os serviços e leitos disponibilizados para se adequar ao valor do repasse mensal que foi proposto ontem (14), durante reunião na 2ª Vara de Direitos Difusos, Coletivos e Individuais Homogêneos. A Justiça e o Ministério Público Est
Redação Diário Pantanal
15/10/2026, 13:00

Após frustrar a expectativa de assinar novo contrato para atendimento pela rede pública de Mato Grosso do Sul, a Santa Casa de Campo Grande anunciou que pretende enxugar os serviços e leitos disponibilizados para se adequar ao valor do repasse mensal que foi proposto ontem (14), durante reunião na 2ª Vara de Direitos Difusos, Coletivos e Individuais Homogêneos. A Justiça e o Ministério Público Estadual mediam o impasse. A proposta apresentada pela SES (Secretaria Estadual de Saúde) e Sesau (Secretaria Municipal de Saúde) foi de cerca de R$ 37 milhões.
A instituição detalhou, durante coletiva de imprensa realizada nesta manhã (15), que terá que reduzir leitos, restringir atendimentos a áreas de saúde prioritárias e pedir a flexibilização de exigências para evitar a paralisação de atendimentos e tentar conter a pior crise financeira que o hospital já viveu. O passivo supera os R$ 800 milhões. O superintendente da Santa Casa, Luiz Alberto Hiroki Kanamura, afirmou que os ajustes são estudados e poderão ser apresentados até a próxima terça-feira (20).
"Nossa equipe técnica está trabalhando para [definir] essa restrição de número de serviços e de proporcionalidade de atendimento [...]. A proposta inicial é apresentar uma métrica de que nós nos adequaremos ao orçamento que eles estão nos propondo. Ou seja, o hospital vai ter leitos que consigam atender esse financeiro que está sendo aportado", disse. Ainda segundo Kanamura, a proposta ficará de acordo com o que Estado e Município também querem. "Existe a intenção de que a Santa Casa atenda nas sete áreas da RUE (Rede de Atenção às Urgências e Emergências).
Obviamente tem serviço que a Santa Casa deixará de ter. O que não estiver na RUE, deixará de ter", acrescentou. O superintendente adiantou que o hospital não pretende deixar de prestar serviços nos quais é a única referência, em alguns casos, para todo o Mato Grosso do Sul. "Politraumatismo, neurocirurgia, neurologia clínica, ortopedia, cardiologia clínica e cirúrgica, cirurgia vascular e grande queimada", elencou. Particular - Caso o acordo seja fechado, os serviços que deixarem de ser prestados não serão necessariamente fechados, falou também o representante do hospital.
Uma possibilidade é mantê-los na ala privada da Santa Casa e vendê-los para pacientes no privado ou no SUS, pontualmente. "Não significa que eu vou fechar o serviço. Significa, talvez que eu vou deixar de atender aquele serviço pelos SUS. Que ele pode ser vendido de outra forma se for viável. A estrutura está aí montada", pontuou. Crise institucional - O superintendente assumiu a direção do hospital após a destituição de ex-diretores da ABCG (Associação Beneficente Santa Casa de Campo Grande) presos pela Operação Andidotum e investigados por suspeitas de desvio de dinheiro.
As discussões pela assinatura de novo contrato com o Poder Público se arrastavam antes das prisões e afastamentos. Elas seguem correndo na Justiça. A próxima reunião para definir os termos deve ser agendada pelo juiz Eduardo Lacerda Trevisan.
Fonte: Campo Grande News
