Preso por rifas, Razuk volta às redes e diz que sorteios eram legais
O influenciador Eduardo Rezende da Silva Razuk, de 32 anos, voltou ao YouTube nesta terça-feira (20) e quebrou o silêncio sobre a investigação que o levou à prisão durante a Operação Rodas da Sorte, em agosto deste ano. No vídeo de quase 13 minutos, ele defendeu a legalidade dos sorteios que promovia, contestou as suspeitas sobre seu patrimônio e afirmou que conseguiu autorização judicial para ret
Redação Diário Pantanal
20/10/2026, 21:15

O influenciador Eduardo Rezende da Silva Razuk, de 32 anos, voltou ao YouTube nesta terça-feira (20) e quebrou o silêncio sobre a investigação que o levou à prisão durante a Operação Rodas da Sorte, em agosto deste ano. No vídeo de quase 13 minutos, ele defendeu a legalidade dos sorteios que promovia, contestou as suspeitas sobre seu patrimônio e afirmou que conseguiu autorização judicial para retomar as publicações, suspensas há 59 dias. Razuk e o irmão Rafael foram presos no dia 18 daquele mês, durante uma investigação da Polícia Civil sobre suspeitas de lavagem de dinheiro, associação criminosa e realização irregular de rifas pela internet.
Quatro dias depois, a Justiça determinou a suspensão dos perfis do influenciador no Instagram e no YouTube, que somavam mais de 1,1 milhão de seguidores. O canal Razuk Backstage, no entanto, permaneceu disponível. Segundo Eduardo, ele deixou de publicar para não contrariar a determinação judicial. No retorno, afirmou que a defesa conseguiu a liberação das contas ao demonstrar que a produção de vídeos faz parte de sua atividade profissional. “O nosso advogado pediu a liberação das redes sociais, explicando que a gente tem canal no YouTube desde 2013, eu tenho um outro desde 2006.
Então, assim, eu tenho acesso ao YouTube desde 2006 e o juiz entendeu perfeitamente e autorizou o meu retorno à internet”, declarou nesta terça. O influenciador disse que espera recuperar o Instagram em dois ou três dias, prazo que atribuiu à comunicação da decisão à plataforma. A reportagem ainda não teve acesso à autorização mencionada por ele. O processo, no entanto, tramita em segredo de Justiça. Bens - Outra parte do vídeo foi dedicada às suspeitas sobre o patrimônio de Razuk.
Ele afirmou que os veículos associados a seu nome e os rendimentos obtidos com as atividades foram declarados à Receita Federal. Também disse que continua morando de aluguel e pretende apresentar documentos para comprovar a origem do dinheiro. “A nossa função agora é nos defender. A gente já tá fazendo isso com o advogado na Justiça, mostrando toda a documentação, toda a papelada, o imposto de renda, se for necessário extrato bancário. Vamos mostrar tudo”, declarou. Durante a gravação, Eduardo também mencionou os carros apreendidos na operação, mas disse que não poderia informar se há previsão de devolução.
Segundo ele, a defesa ainda trata do assunto no processo. Apesar do retorno, o influenciador reconheceu que continua proibido de divulgar sorteios nas redes sociais. A restrição não o impediu de contestar as acusações e defender as atividades que motivaram a investigação. “Apenas quero deixar vocês cientes de uma coisa, as minhas ações eram legalizadas, vocês estavam participando de ações legalizadas, auditadas e fiscalizadas pelo Estado da Paraíba”, afirmou. A Polícia Civil apresenta uma versão diferente.
Conforme a investigação, o grupo promoveu mais de 100 sorteios desde 2019, com suspeitas de irregularidades nas autorizações e no destino do dinheiro arrecadado. Empresas sediadas na Paraíba e no Rio de Janeiro também são investigadas por possível participação na movimentação dos valores. A defesa sustenta que as rifas tinham autorização da Loteria da Paraíba e que Eduardo atuava na divulgação das campanhas. Os investigadores, por outro lado, atribuem ao influenciador participação direta na organização dos sorteios.
Investigação - A Operação Rodas da Sorte foi deflagrada pela DERCC (Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Cibernéticos) em 18 de agosto, com quatro mandados de prisão e 11 de busca em Mato Grosso do Sul, na Paraíba e no Rio de Janeiro. A Polícia Civil identificou movimentação superior a R$ 100 milhões em seis meses, atribuída aos sorteios investigados. Na operação, foram apreendidos 22 veículos de alto padrão e dois relógios de luxo. A Justiça também determinou a indisponibilidade de cinco imóveis e o bloqueio de aproximadamente R$ 500 milhões em contas ligadas aos suspeitos.
Eduardo e Rafael ficaram presos por 13 dias. No fim de agosto, conseguiram autorização para responder ao processo em liberdade, mediante restrições impostas pela Justiça. Em setembro, o juiz Márcio Alexandre Wust, da 6ª Vara Criminal de Campo Grande, recebeu a denúncia do MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) contra os irmãos e outras seis pessoas. Com isso, os oito passaram a responder à ação penal.
Fonte: Campo Grande News



