Preso em operação, presidente de hospital diz que não deve nada e que é "do bem"
Redação Diário Pantanal
07/10/2026, 11:45

Preso na 2ª fase da Operação Dirty Pix, o presidente do Hospital Dona Elmíria Silvério Barbosa, Jacob Meeuvis Breure, afirma que tudo será esclarecido e que é "do bem". "É uma investigação sobre a reforma do hospital, mas vocês podem ficar tranquilo que não devemos nada e tudo será esclarecido daqui a pouquinho. Graças a Deus, a alma limpa., a gente é do bem. Se tiver alguma coisa que aconteceu, não foi da nossa parte". A ação foi realizada nesta quarta-feira (dia 7) em Sidrolândia. A defesa dele informou que acompanha as diligências, mas ainda não sabe os fundamentos da prisão. "Tendo em vista que tudo foi esclarecido na primeira operação. Ele tem a consciência tranquila, não vai esconder nada e colaborar no que for necessário. Na primeira operação, ele foi apontado como intermediador", afirma o advogado Wellison Muchiutti. A operação cumpriu mandados na residência e em duas empresas de Jacob, com apreensão de documentos e celulares. Na ação, também foram presos a policial civil Cristina Rosa Gomes de Carvalho e o assessor político Júlio César Alves da Silva. O advogado de Jacob nega vínculo entre os presos. "Tem mais de dois anos que ele e o Júlio nem conversam. A Cristina, pelo que a gente sabe, é agente da Polícia Civil e atende todo mundo. Não vejo a ligação de ilícito entre as partes", diz o advogado. Foram cumpridos mandados na Global (loja de produtos agrícolas) e Fendt (máquinas agrícolas), empresas de Jacob. Conduzida pelo Gecoc (Grupo Especial de Combate à Corrupção), a investigação começou a partir da identificação de desvio de recursos públicos destinados à aquisição de um aparelho de ressonância magnética e de autoclave hospitalar, oriundos de convênio firmado entre o Estado e a Sociedade Beneficente Dona Elmíria Silvério Barbosa, entidade responsável pela gestão do hospital de Sidrolândia. Com o aprofundamento das apurações, após a deflagração da primeira fase da Operação Dirty Pix, realizada em novembro de 2025, foram identificados elementos que indicaram desvios de recursos provenientes de outros convênios celebrados pela entidade, mediante a reprodução do esquema. A corrupção atingiu recursos públicos destinados à aquisição de equipamentos e materiais hospitalares, de UTI (Unidade de Terapia Intensiva) móvel e execução de obras de reforma do hospital, com valores que ultrapassam R$ 18 milhões. Conforme a investigação, foram elaborados planos de trabalho contendo informações fraudulentas, com superfaturamento de bens e serviços, e direcionamento das contratações para empresas previamente alinhadas ao núcleo investigado. Após o ingresso dos recursos públicos nas contas da entidade hospitalar, parte dos valores foi desviada das finalidades previstas nos respectivos convênios e posteriormente redistribuída por meio de sucessivas movimentações financeiras, envolvendo repasses diretos e indiretos a agentes políticos, articuladores e intermediários. As provas revelaram abuso do poder financeiro da organização, utilizado para fins de impor práticas de obstrução às investigações em curso. “Dirty Pix”, termo que dá nome à operação, traduz-se da língua inglesa como “pix sujo”, e faz alusão à natureza ilícita das transferências financeiras utilizadas para viabilizar o esquema. A operação é do Gecoc, 3ª Promotoria de Justiça de Sidrolândia e Gaeco (Grupo Especial de Combate ao Crime Organizado). O escritório e a residência da contadora Rosângela Zanetti também foram alvos da operação. A reportagem foi ao hospital, mas ninguém quis falar com a imprensa. O C ampo Grande News não conseguiu contato com os demais citados. Em 18 de novembro de 2025, na 1ª fase da operação, o Gecoc identificou o desvio de R$ 5,4 milhões em recursos públicos destinados ao hospital. O episódio ficou conhecido como a "Máfia do Pix". O dinheiro saía de empresa participante de esquema de desvio de recursos hospitalares diretamente para a conta do destinatário corrupto ou por meio das contas bancárias de terceiros, sempre via Pix. Em 2022, vereadores da oposição receberam até R$ 100 mil em propina de uma só vez, segundo a investigação.
Fonte: Campo Grande News


