Operação corta comunicação entre Marcinho VP e cúpula do Comando Vermelho
Márcio dos Santos Nepomuceno, o Marcinho VP, preso na Penitenciária Federal de Campo Grande, é um dos alvos da Operação Cesura, deflagrada nesta quinta-feira (29) para interromper a comunicação entre o líder do Comando Vermelho e a cúpula da facção em liberdade. Segundo as investigações, sobrinhos do detento atuavam como intermediários, levando recados entre ele e integrantes da organização crimin
Redação Diário Pantanal
29/10/2026, 08:15

Márcio dos Santos Nepomuceno, o Marcinho VP, preso na Penitenciária Federal de Campo Grande, é um dos alvos da Operação Cesura, deflagrada nesta quinta-feira (29) para interromper a comunicação entre o líder do Comando Vermelho e a cúpula da facção em liberdade. Segundo as investigações, sobrinhos do detento atuavam como intermediários, levando recados entre ele e integrantes da organização criminosa. A ação é realizada pela Ficco/MS (Força Integrada de Combate ao Crime Organizado de Mato Grosso do Sul) e pelo Gaeco Nacional do MPF (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado Nacional do Ministério Público Federal).
As equipes cumprem um mandado de prisão preventiva, dois de prisão temporária e dois de busca e apreensão no Rio de Janeiro e em Belford Roxo, na Baixada Fluminense. A prisão preventiva é cumprida na própria Penitenciária Federal de Campo Grande, onde Marcinho VP permanecerá custodiado. As medidas foram autorizadas pela 3ª Vara Federal de Campo Grande. Este é o segundo mandado de prisão cumprido neste mês contra Marcinho VP. O anterior foi executado em 19 de outubro, durante a Operação Backbone, também realizada pela Polícia Federal.
A operação também teve como alvos a esposa dele, Márcia Gama Nepomuceno, e o filho, Lucas Santos Nepomuceno. Preso desde agosto de 1996, Marcinho VP completou 30 anos de detenção e segue na prisão em razão de novas ordens judiciais. Ele está custodiado na Penitenciária Federal de Campo Grande desde 2024 e integra o sistema penitenciário federal desde 2007. Cesura - A investigação começou a partir de provas compartilhadas pelo Gaeco do MPF no Rio de Janeiro, obtidas no âmbito da Operação Red Fox, que apura o tráfico internacional de armas de grosso calibre e drogas pela fronteira norte do País.
A análise de dados de uma das principais lideranças da facção em liberdade, que está foragida da Justiça, revelou que dois familiares de Marcinho VP seriam responsáveis por intermediar a comunicação entre ele e a organização criminosa. Em um dos episódios investigados, em janeiro de 2025, um dos suspeitos se encontrou pessoalmente com a liderança foragida no Rio de Janeiro. No dia seguinte, viajou para Campo Grande, visitou Marcinho VP no parlatório da Penitenciária Federal e, após retornar, prestou contas sobre o recado transmitido.
Segundo as apurações, as visitas ocorreram frequentemente até agosto de 2026, sempre em dias úteis. Em algumas ocasiões, o investigado teria viajado até a capital sul-mato-grossense e retornado ao Rio de Janeiro no mesmo dia. Mensagens analisadas pelos investigadores também indicam que integrantes da facção em liberdade continuam reconhecendo Marcinho VP como uma das lideranças da organização criminosa. Um dos investigados ocupa cargo comissionado em uma câmara municipal da Baixada Fluminense.
Conforme a investigação, ele adquiriu, nos últimos dois anos, patrimônio que seria, em princípio, incompatível com a renda declarada. Apreensões e crimes investigados - Durante a operação, foram apreendidos veículos e celulares. Os investigados poderão responder por envolvimento com a organização criminosa, apoio à facção e repasse de informações para favorecer as atividades do grupo. As penas podem chegar a 20 anos de prisão, conforme os crimes comprovados. Também é apurada a possível atuação dos suspeitos como informantes de uma organização ligada ao tráfico de drogas.
O nome da operação faz referência à palavra “cesura”, que significa corte ou pausa, como a interrupção no meio de um verso. A denominação simboliza o objetivo de interromper o fluxo de comunicação entre Marcinho VP, custodiado em Campo Grande, e os integrantes da facção que continuam em liberdade. A Ficco/MS reúne a Polícia Federal, a Polícia Militar de Mato Grosso do Sul, a Polícia Penal Estadual, a Polícia Civil, a Polícia Penal Federal, vinculada à Senappen (Secretaria Nacional de Políticas Penais), e a Guarda Civil Metropolitana de Campo Grande.
Fonte: Campo Grande News



