OMS não recomenda canetas emagrecedoras para crianças com até 9 anos
Redação Diário Pantanal
07/10/2026, 14:45

A OMS (Organização Mundial da Saúde) não recomenda medicamentos para tratar a obesidade, incluindo as chamadas canetas emagrecedoras, em crianças com até 9 anos. A orientação integra as primeiras diretrizes globais da entidade sobre o enfrentamento da doença em crianças e adolescentes, lançadas nesta quarta-feira (7). Para essa faixa etária, também não são recomendados cirurgia bariátrica nem dispositivos para perda de peso. Conforme publicação da Agência Brasil, a prioridade é o acompanhamento estruturado, com alimentação adequada, atividade física e mudanças de comportamento. Essas medidas podem ser adotadas individualmente ou combinadas em um programa de cuidado, com participação da família. Entre adolescentes de 10 a 19 anos, medicamentos aprovados podem ser considerados apenas quando um programa supervisionado, que reúna essas intervenções, não alcançar os resultados esperados. A recomendação não representa autorização geral para o uso de qualquer caneta emagrecedora nessa faixa etária: é necessário observar a indicação aprovada de cada medicamento. A cirurgia bariátrica pode ser considerada sob condições rigorosas para adolescentes com obesidade grave. Em Mato Grosso do Sul, o uso desses produtos por menores já motivou denúncia. Em maio, o Campo Grande News noticiou o caso de uma menina de 11 anos, de Amambai, que precisou de atendimento médico após supostamente receber tirzepatida aplicada por familiares. A mãe denunciou o caso, e a Justiça concedeu medidas protetivas contra o tio e a avó materna. Segundo os documentos citados na reportagem, a menina apresentou desidratação, desmaios e perda de cinco quilos em uma semana. Procurada pelo jornal, a avó negou as acusações. Segundo o Panorama Obesidade Infantil do Sisvan (Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional), os dados sobre o sobrepeso infantil indicam que 33 a cada 100 crianças de 0 a 9 anos em Mato Grosso do Sul que são acompanhadas na rede pública de saúde possuem excesso de peso. O avanço da obesidade preocupa a OMS. Em 2024, cerca de 170 milhões de pessoas de 5 a 19 anos viviam com a doença no mundo. Nesse grupo, a prevalência quadruplicou desde 1990, passando de 2% para 8%. Considerada uma doença crônica e recorrente, a obesidade pode trazer consequências ainda na infância, como aumento do risco de diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares. O cuidado também deve incluir a saúde mental, diante de situações de estigma, discriminação e bullying. As diretrizes da Organização Mundial da Saúde defendem acompanhamento contínuo, adequado à idade e às necessidades de cada família. A OMS ressalta ainda que o tratamento precisa ser acompanhado de políticas que tornem a alimentação saudável e a atividade física mais acessíveis.
Fonte: Campo Grande News



