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O voto é seu. As consequências são de todos e vão muito além das urnas

Antes de escolher um candidato, vale pensar em quem espera por uma decisão que pode mudar sua vida. Na mãe que depende do SUS para tratar o filho. Na criança que encontra na escola pública a oportunidade de aprender e, muitas vezes, a principal refeição do dia. Na mulher que se deita com medo de não amanhecer. Em quem enfrenta humilhações pela cor da pele, pela origem, pela fé ou por quem ama. Ess

Redação Diário Pantanal

24/10/2026, 07:30

O voto é seu. As consequências são de todos e vão muito além das urnas

Antes de escolher um candidato, vale pensar em quem espera por uma decisão que pode mudar sua vida. Na mãe que depende do SUS para tratar o filho. Na criança que encontra na escola pública a oportunidade de aprender e, muitas vezes, a principal refeição do dia. Na mulher que se deita com medo de não amanhecer. Em quem enfrenta humilhações pela cor da pele, pela origem, pela fé ou por quem ama. Essas pessoas precisam ocupar o centro do debate eleitoral e das prioridades de quem pretende governar.

Uma eleição define quem terá autoridade para administrar o dinheiro público, estabelecer prioridades e decidir quais necessidades receberão atenção. Por trás de cada escolha orçamentária existe uma consequência concreta: uma consulta que acontece ou demora, uma escola que ensina ou deixa o aluno para trás, uma mulher que encontra proteção ou continua sozinha diante de uma ameaça. Defender a educação pública, gratuita e de qualidade exige compromisso com professores, estrutura, aprendizagem e permanência dos estudantes.

Uma criança precisa chegar à escola, alimentar-se bem e encontrar condições para desenvolver suas capacidades. O futuro prometido nos discursos começa nessas condições básicas, que deveriam estar asseguradas a todos. O mesmo vale para o SUS. Quem precisa de atendimento não pode ficar à mercê da própria renda para ter uma chance de sobreviver. A defesa da saúde pública deve ser medida pelo esforço para reduzir filas, garantir profissionais, oferecer exames e assegurar a continuidade dos tratamentos.

A responsabilidade de um governante aparece também na atenção dispensada a quem não pode pagar por outra alternativa. Enfrentar a fome é uma obrigação que não comporta desprezo nem exploração eleitoral. A ajuda precisa chegar a quem necessita, acompanhada de oportunidades de estudo, qualificação, trabalho e renda. Construir autonomia exige reconhecer que ninguém reorganiza a própria vida enquanto luta diariamente para ter o que comer. Também é preciso olhar para o que deixaremos aos nossos filhos e netos.

A floresta derrubada, o rio contaminado e o ar que adoece crianças produzem prejuízos que atravessam gerações. Proteger o meio ambiente exige fiscalização, planejamento e responsabilidade sobre a forma de produzir e ocupar o território. Quem pede votos deve explicar como pretende conciliar a atividade econômica com a preservação da água, da vegetação e das condições de vida. Para as mulheres, o direito à segurança começa pela liberdade de existir e fazer escolhas. Terminar um relacionamento não pode significar receber uma sentença de morte.

Enfrentar o feminicídio exige acolhimento, proteção efetiva, investigação e resposta às ameaças. Exige também combater o machismo, o sexismo e a misoginia que alimentam a ideia de que um homem pode controlar a vida de uma mulher. A mesma firmeza deve orientar o enfrentamento do racismo, da xenofobia, da intolerância religiosa, da bifobia e das demais formas de discriminação. Uma sociedade democrática precisa garantir que ninguém seja obrigado a esconder sua origem, sua crença ou seu afeto para viver em segurança.

A dignidade humana não pode ficar sujeita à aprovação da maioria, à conveniência política ou ao preconceito de uma autoridade. A segurança pública, por sua vez, merece propostas capazes de proteger as famílias. A disseminação de armas não pode ser apresentada como resposta suficiente a um problema que exige prevenção, investigação, inteligência e instituições preparadas. Crianças precisam aprender, brincar e frequentar a escola em paz. Cabe ao poder público trabalhar para que essa tranquilidade seja um direito cotidiano.

Nenhuma dessas tarefas se resolve apenas com boas intenções. O eleitor tem o direito de saber o que será feito, com quais recursos, em quanto tempo e sob quais mecanismos de fiscalização. Compromisso sério permite cobrança. Promessa vaga facilita a fuga de responsabilidade depois da eleição. Por isso, antes de votar, é necessário examinar propostas, atitudes, alianças e trajetória. Como o candidato tratou os mais vulneráveis quando teve poder para decidir? Que escolhas fez sobre saúde, educação, proteção às mulheres e meio ambiente?

Respeita as diferenças também quando elas contrariam suas convicções? Sua história sustenta o que agora promete? Podemos discordar sobre os caminhos e defender projetos diferentes. Mas precisamos reconhecer a dor do outro e considerar as consequências das nossas escolhas para quem dispõe de menos proteção. O voto é individual. Seus efeitos alcançam milhões de pessoas. Exercê-lo com responsabilidade é lembrar, diante da urna, que também estamos decidindo sobre a vida de quem nunca conheceremos.

Fonte: Campo Grande News

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