No Halloween, grupo encara mistérios da antiga Clínica Carandá
Campo Grande tem construções que, mesmo depois de perderem sua função original, continuam despertando curiosidade. Prédios desativados, corredores vazios e histórias misteriosas alimentam a imaginação de quem gosta de um bom susto. Para entrar no clima de Halloween, celebrado neste sábado (31), o Lado B acompanhou o Projeto Meia-Noite na segunda exploração da antiga Clínica Carandá, no Bairro Cara
Redação Diário Pantanal
31/10/2026, 08:15

Campo Grande tem construções que, mesmo depois de perderem sua função original, continuam despertando curiosidade. Prédios desativados, corredores vazios e histórias misteriosas alimentam a imaginação de quem gosta de um bom susto. Para entrar no clima de Halloween, celebrado neste sábado (31), o Lado B acompanhou o Projeto Meia-Noite na segunda exploração da antiga Clínica Carandá, no Bairro Carandá Bosque. A visita teve direito a lanternas, orações, relatos de experiências inexplicáveis e muito medo.
A equipe voltou ao imóvel na quinta-feira (29) para conhecer ambientes que ficaram de fora da primeira gravação. Com lanternas em mãos, os integrantes percorreram salas, escadas e corredores pouco iluminados, enquanto relembravam histórias que ouviram sobre o local. Para quem acompanhava a exploração pela primeira vez, o desafio era controlar o nervosismo e seguir o grupo, principalmente quando a conversa chegava aos relatos de supostas manifestações sobrenaturais. O Projeto Meia-Noite reúne Cleverson Lopes dos Santos, Paulo Guilherme Ferreira Sena, Mateus Marques Alves dos Santos e Eliedson Borges dos Santos.
A iniciativa surgiu depois que Borges, que trabalhava como vigilante durante a madrugada, começou a observar situações que considerava estranhas enquanto fazia rondas pela cidade. Como já tinha seguidores nas redes sociais, resolveu compartilhar as experiências e consultar o público sobre a possibilidade de explorar lugares pouco conhecidos. "Eu era vigilante, trabalhava de madrugada e via muitas coisas esquisitas, estranhas, por estar rondando. Como eu já tinha um público, resolvi postar.
Achei um local abandonado, postei nas redes sociais, deu certo e resolvi criar uma equipe", contou Borges. Entrando na clínica - Antes de entrar na clínica, os exploradores reuniram os equipamentos, conversaram sobre os cuidados necessários e fizeram uma oração. O costume, segundo eles, faz parte da preparação para cada visita. Além de observar os riscos de caminhar por uma construção desativada, o grupo procura respeitar as histórias e crenças relacionadas aos lugares que visita.
Para os integrantes, pedir licença é uma forma de demonstrar que não estão ali para provocar ou desrespeitar ninguém. Durante as explorações, a equipe também adota uma estratégia de segurança. Enquanto Borges segue pelo imóvel, um integrante permanece na retaguarda e outros 2 observam a parte da frente, atentos à possível aproximação de desconhecidos. O grupo também leva armas cenográficas, que, segundo os participantes, servem para intimidar alguém caso se sintam ameaçados.
"A gente geralmente ora, faz uma preparação do local e pede o cuidado de Deus. Se há alguma entidade, alguma questão espiritual, fazemos questão de comunicar que não viemos com a ideia de prejudicar, provocar nenhum alvoroço. Nosso interesse é somente explorar o local", explicou Borges. A tensão aumentou conforme a equipe avançou pelos corredores. Durante a caminhada, os integrantes relembraram um episódio da primeira exploração, quando uma das participantes afirmou ter ouvido uma voz feminina enquanto gravava.
O relato chamou a atenção do grupo, que decidiu retornar ao ponto onde a situação teria ocorrido. Ninguém conseguiu confirmar a origem do som. A equipe também comentou histórias antigas envolvendo a clínica e construções da região. Alguns relatos mencionavam supostos acontecimentos trágicos, mas não havia documentos ou informações que comprovassem essas narrativas. Mesmo sem confirmação, as histórias faziam parte das conversas dos exploradores e aumentavam a expectativa sobre o que poderiam encontrar nos ambientes ainda desconhecidos.
O tamanho da antiga clínica foi um dos motivos para a segunda visita. Segundo Borges, o grupo não conseguiu percorrer todos os espaços na primeira gravação e decidiu retornar para conhecer outras partes do imóvel. Durante o trajeto, os integrantes encontraram áreas com sinais de danos, ambientes escuros e um trecho que aparentava ter sido atingido por um incêndio. Também localizaram roupas, colchão e alimentos em uma área que levantou a suspeita de que alguém pudesse estar utilizando o espaço como abrigo.
"Hoje é o nosso segundo episódio aqui da Clínica Carandá Bosque. Como aqui é muito grande, ficaram algumas partes sem entrar. Hoje a gente veio justamente para conhecer o que falta. Todo local que a gente vai, sempre pesquisa antes e pede permissão. Se não tiver permissão, a gente não entra", afirmou Borges. Apesar da aparência de abandono, a antiga Clínica Carandá está desativada, mas não completamente abandonada. A incorporadora FRZ Engenharia, responsável pelo imóvel, informou ao grupo que já realizou limpezas no terreno e possui um projeto para transformar a área em um empreendimento.
A proposta ainda depende de aprovação. A equipe conseguiu autorização para realizar as gravações, com o esclarecimento de que o espaço possui responsáveis e recebe cuidados. Experiência - Para o Lado B, acompanhar a exploração significou enfrentar não apenas os corredores escuros, mas também o próprio medo. Enquanto os integrantes do Projeto Meia-Noite sugeriam conhecer o subsolo e outros ambientes, a reportagem negociava até onde conseguiria acompanhá-los. Dentro da antiga Clínica Carandá, o cenário já assustava antes mesmo de entrar no prédio.
O terreno estava tomado pelo mato e pelo barro, e, para acessar a construção, era necessário subir um degrau alto. As paredes estavam cobertas de pichações, incluindo avisos como “não entre aqui”, além de marcas de paintball, já que o espaço também recebe equipes para a prática da atividade. Durante a caminhada, não era possível ficar parado por muito tempo por causa da quantidade de formigas espalhadas pelo local. Ao entrar nos cômodos, a situação ficava ainda mais assustadora.
A clínica possui muitos quartos, paredes pintadas de branco e espaços repletos de lixo, cacos de vidro e objetos que pareciam pertencer a pessoas que passaram pelo imóvel. Na parte inferior da construção, as escadas levavam a ambientes com ainda mais sujeira e também abafados. Pelo chão, havia terra, barro, água acumulada, fezes e pedaços de vidro, o que exigia atenção a cada passo. O medo também virou assunto entre a equipe. Enquanto os integrantes do Projeto Meia-Noite tentavam convencer a reportagem a continuar a exploração, principalmente até o subsolo, a coragem começava a faltar.
Segundo eles, aquela era uma das partes mais assustadoras da clínica, com uma aparência que lembrava cenários de filmes de terror. A insistência para conhecer o ambiente rendeu uma conversa entre risadas e nervosismo. “Você está com medo?”, questionou um dos integrantes. A resposta veio sem nenhuma tentativa de disfarçar: “Sim, estou”. Mesmo assim, o grupo continuou incentivando a descida. “O subsolo parece coisa de filme, de verdade”, comentou um dos exploradores. A curiosidade até existia, mas, naquele momento, o problema era encontrar coragem para seguir em frente.
A cada história contada, surgia uma nova razão para pensar duas vezes antes de continuar. Mesmo sem qualquer aparição sobrenatural comprovada, o cenário e a expectativa de encontrar algo inesperado garantiram os sustos da noite. A segunda visita mostrou que ainda existem histórias e espaços a conhecer dentro da antiga clínica. A repórter acompanhou o Projeto Meia-Noite por cerca de meia hora, mas os integrantes seguiram com a exploração, que começou às 20h30 e terminou à meia-noite.
Depois que a reportagem deixou o local, o grupo encontrou um espaço com indícios de que alguém poderia estar morando ali. Segundo Borges, havia roupas, colchão e alimentos espalhados pelo ambiente. Apesar dos objetos encontrados, não foi possível confirmar se alguma pessoa vive no imóvel. Para o Projeto Meia-Noite, a curiosidade é justamente o que mantém as explorações. Já para quem acompanhou a experiência, ficou a certeza de que não é preciso encontrar um fantasma para sentir medo.
Às vezes, basta uma lanterna, um corredor escuro e alguém disposto a contar uma história assustadora. Para conferir os próximos vídeos do Projeto Meia-Noite e acompanhar as explorações anteriores, acesse o perfil @projetomeianoitems nas redes sociais.
Fonte: Campo Grande News


