Diário Pantanal

Líder de rebelião em 2005 volta à prisão por suspeita de assassinatos em série

Redação Diário Pantanal

07/10/2026, 17:15

Líder de rebelião em 2005 volta à prisão por suspeita de assassinatos em série
Apontado como uma das lideranças da rebelião histórica no Presídio de Segurança Máxima de Campo Grande em 2005, Diógenes Costa Davi nunca saiu da vida criminosa e, recentemente, foi novamente preso por envolvimento em assassinatos em série na região do Bolsão - nordeste de Mato Grosso do Sul - em meio à guerra de facções por domínio da região investigada na Operação Suppressio. Historicamente ligado ao PCC (Primeiro Comando da Capital), Diógenes voltou a ser preso em ação da Polícia Civil através do SIG (Setor de Investigações Gerais), da 1ª Delegacia de Paranaíba. Conhecido pelos apelidos de “Dil”, “Destro” e “Poquemon”, ele está entre os investigados presos em operação relacionada à atuação de organização criminosa e à sequência de crimes violentos nas cidades de  Paranaíba, Aparecida do Taboado e Três Lagoas. O histórico de Diógenes no crime organizado remonta pelo menos a 2005. Naquele ano, ele foi apontado como um dos detentos que lideraram a rebelião. O episódio levou ao isolamento de integrantes considerados lideranças no sistema penitenciário estadual. Diógenes foi enviado ao Presídio Federal de Catanduvas, no Paraná, junto de outros presos. Em janeiro de 2008, reportagem do Campo Grande News registrou o retorno de 16 deles à Penitenciária de Segurança Máxima de Campo Grande, após cerca de um ano de isolamento. Todos eram apontados como líderes das rebeliões ocorridas em 2005 e alguns tinham, segundo as autoridades da época, ligação com o PCC (Primeiro Comando da Capital). Entre os nomes que retornaram à Máxima estava Diógenes. A passagem pelo sistema federal, contudo, não seria o último episódio a relacioná-lo à facção. Três anos depois, em março de 2011, ele voltou a ser preso em Três Lagoas, após fugir da Colônia Penal de Campo Grande. Na ocasião, uma pistola calibre 9 milímetros apreendida pela polícia levou os investigadores até Diógenes. Segundo as informações policiais divulgadas naquele momento, ele teria confessado que estava em Três Lagoas para matar duas pessoas que possuíam dívidas com o PCC. O caso já colocava Diógenes na mesma região onde seu nome voltaria a aparecer anos depois. Facção - Em 2018, o nome de Diógenes voltou a aparecer em uma investigação do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado). Interceptações telefônicas identificadas nos autos como parte da Operação Regresso passaram a acompanhar conversas atribuídas a “Destro”, posteriormente identificado pelos investigadores como Diógenes Costa Davi. Em denúncia apresentada posteriormente, o Gaeco afirmou que Diógenes integrava o PCC e era conhecido pelos codinomes “Destro”, “Dil” e “Poquemon”. A identificação, conforme o documento, foi feita por meio das comunicações telefônicas e de dados existentes no sistema policial.    Nessa investigação, interceptações telefônicas registraram conversas sobre crimes violentos. Em uma delas, Diógenes teria afirmado que precisaria matar um homem chamado Clóvis porque ele havia falado da esposa dele, Vanessa Afonso dos Santos, no Conselho Tutelar. Na ação deste ano, ela também foi presa. Outro relatório menciona tratativas envolvendo uma possível execução de um homem conhecido como “Popaye”. Em ligação interceptada, um interlocutor afirma que iria matá-lo e que teria “carta branca”. Na mesma conversa, Diógenes pede maconha.    O Gaeco também atribuiu a Diógenes participação em conversa sobre o planejamento de roubo a um caixa eletrônico. Questionado por um interlocutor sobre o crime, ele teria respondido que não tinha tempo naquele momento porque estava “organizando as coisas do comando”.     2026 - Agora, o nome de Diógenes reaparece em processo que tramita em Três Lagoas. O procedimento foi instaurado como pedido de prisão temporária por suspeita de promoção, constituição, financiamento ou integração de organização criminosa. Também aparecem entre os investigados Lucelia Feitosa Centurion, Vanessa e Erick Pereira da Conceição. Um habeas corpus apresentado ao TJMS (Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul) em favor de Vanessa revela parte dos crimes investigados. Ela teve a prisão temporária convertida em preventiva e é apontada como suposta mandante de sequestro e cárcere privado de adolescentes. Segundo o acórdão, os elementos reunidos durante a investigação incluem relatos das vítimas sobre a participação da investigada e outras informações que fundamentaram inicialmente a prisão temporária e, posteriormente, a preventiva. O tribunal menciona privação da liberdade de adolescentes mediante violência e graves ameaças, em contexto que, segundo a investigação, estaria relacionado à atuação de organização criminosa. A defesa alegou falta de indícios suficientes de autoria, fragilidade das provas e ausência dos requisitos necessários à manutenção da prisão. A 1ª Câmara Criminal do TJMS rejeitou o habeas corpus por unanimidade e manteve a preventiva. A reportagem entrou em contato com advogado que constava como defensor de Diógenes, mas ele disse que foi desconstituído e nenhum outro foi localizado.

Fonte: Campo Grande News

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