Justiça nega soltura a policiais suspeitos de negociar drogas com tráfico
Dois investigadores da Polícia Civil, um empresário do setor de transportes e um rapaz de 19 anos tiveram pedidos de liberdade negados pela Justiça de Campo Grande. Os quatro são investigados na Operação Infiltrados, que apura esquema de desvio de drogas apreendidas por policiais para posterior revenda a traficantes. As decisões foram publicadas no Diário da Justiça desta terça-feira (20). Os inve
Redação Diário Pantanal
20/10/2026, 09:45

Dois investigadores da Polícia Civil, um empresário do setor de transportes e um rapaz de 19 anos tiveram pedidos de liberdade negados pela Justiça de Campo Grande. Os quatro são investigados na Operação Infiltrados, que apura esquema de desvio de drogas apreendidas por policiais para posterior revenda a traficantes. As decisões foram publicadas no Diário da Justiça desta terça-feira (20). Os investigados são Marcos André Santos Chaves, lotado na 1ª Deam (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher); Nilton Cesar Sales dos Santos, investigador da Derf (Delegacia Especializada de Repressão a Roubos e Furtos); Matheus Gabriel Machado Bezerra, empresário do setor de transporte rodoviário de cargas; e Kayon Lucas Leodoro da Silva, apontado como integrante do núcleo ligado ao tráfico de drogas.
Conforme as publicações, os pedidos foram analisados individualmente, mas todos estão vinculados mesmo processo. As intimações informam que a Justiça indeferiu os requerimentos de revogação das ordens de prisão. Os fundamentos das decisões não foram detalhados nos extratos publicados. Marcos André Santos Chaves é suspeito de envolvimento no desvio de maconha durante uma ocorrência registrada em 5 de outubro de 2025, no Jardim Los Angeles, em Campo Grande. Segundo o Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado), policiais receberam informações sobre drogas armazenadas em uma residência, mas apenas 3 quilos foram registrados oficialmente.
A investigação aponta que pelo menos 37 quilos teriam sido retirados antes da formalização da apreensão. O episódio também envolve o ex-policial Augusto Torres Galvão Florindo, conhecido como "Paraíba". Já Nilton Cesar Sales dos Santos, de 55 anos, é suspeito de participar do monitoramento de cargas de entorpecentes que seriam interceptadas por policiais envolvidos no esquema. Segundo o Gaeco, dados extraídos do celular de Lucas da Silva dos Santos, conhecido como "LK", apontado como intermediário entre policiais e traficantes, revelaram imagens de um aplicativo de rastreamento de veículos com a identificação "Nilton Derf".
Em conversas de junho de 2025, LK teria mencionado a participação de Nilton em uma operação de interceptação de drogas e calculado que cada policial envolvido poderia receber entre R$ 50 mil e R$ 60 mil. Kayon Lucas Leodoro da Silva, por sua vez, é apontado como integrante do núcleo responsável por apoiar as atividades de LK. Conforme as investigações, ele teria atuado na identificação de locais de armazenamento e na circulação dos entorpecentes desviados. O jovem também é citado no episódio de outubro de 2025, no Jardim Los Angeles.
Segundo o Gaeco, ele e LK teriam informado policiais do Garras sobre a existência de maconha em uma residência, ocorrência na qual parte dos entorpecentes teria sido desviada antes do registro oficial. O quarto investigado, Matheus Gabriel Machado Bezerra, de 29 anos, é empresário do setor de transporte rodoviário de cargas. Ele foi preso durante a operação, deflagrada em 24 de setembro. Conforme relatório da operação, Matheus é proprietário de uma transportadora aberta em julho de 2024, com endereço cadastrado na Vila Jussara, em Campo Grande.
Rede - A Operação Infiltrados foi deflagrada em 24 de setembro pelo Gaeco e investiga uma organização criminosa suspeita de utilizar a estrutura policial para desviar entorpecentes apreendidos e revendê-los ao tráfico. Conforme a investigação, pelo menos 637 quilos de drogas teriam retornado ao mercado ilegal por meio da atuação de agentes de segurança pública e intermediários ligados a traficantes. O delegado Hoffman D'Ávila Cândido e Sousa, que comandou a Denar (Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico), é apontado como um dos líderes do esquema.
Segundo o Ministério Público, o grupo teria atuado na identificação de carregamentos, realização de apreensões, retirada irregular de parte das drogas e posterior comercialização dos entorpecentes. Em 9 de outubro, o Gaeco apresentou denúncia contra 23 pessoas, com pedido de condenação dos envolvidos, perda dos cargos públicos de agentes de segurança e pagamento de R$ 10 milhões por danos morais coletivos. Entre os policiais citados no pedido de perda dos cargos estão Marcos André Santos Chaves e Nilton Cesar Sales dos Santos.
De acordo com a investigação, o esquema funcionava por meio de diferentes núcleos. Enquanto policiais teriam acesso a informações privilegiadas e às apreensões, integrantes ligados ao tráfico seriam responsáveis por intermediar negociações e encontrar compradores para as drogas desviadas. Início - A investigação que deu origem à Operação Infiltrados começou a avançar a partir de uma selfie publicada nas redes sociais pelo policial Roberto Palmeira da Silva, na qual apareciam 30 quilos de pasta-base de cocaína apreendidos pela Denar, em novembro de 2022.
Segundo o Gaeco, a droga teria sido alvo de negociação ilegal com uma quadrilha de traficantes. Conversas extraídas de celulares apreendidos em operações anteriores ajudaram a revelar a ligação entre policiais e criminosos, permitindo identificar o suposto esquema de desvio e revenda de entorpecentes.
Fonte: Campo Grande News



