Diário Pantanal
—
Campo GrandeConsultando tempo…

Iphan e UFMS articulam estudos para proteger 3 parques de Campo Grande

O Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) buscou o apoio da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul) para produzir estudos que ajudem a embasar o pedido de tombamento nacional do Parque dos Poderes, do Parque Estadual do Prosa e do Parque das Nações Indígenas, em Campo Grande. O primeiro colóquio sobre o tema foi realizado nesta segunda-feira (26), na universidade,

Redação Diário Pantanal

26/10/2026, 19:00

Iphan e UFMS articulam estudos para proteger 3 parques de Campo Grande

O Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) buscou o apoio da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul) para produzir estudos que ajudem a embasar o pedido de tombamento nacional do Parque dos Poderes, do Parque Estadual do Prosa e do Parque das Nações Indígenas, em Campo Grande. O primeiro colóquio sobre o tema foi realizado nesta segunda-feira (26), na universidade, para apresentar a demanda e aproximar o órgão, pesquisadores e representantes da sociedade civil.

O pedido de tombamento foi apresentado ao Iphan em 2023 pelo SOS Parque dos Poderes, mas precisa ser complementado. Segundo o superintendente do órgão em Mato Grosso do Sul, João Henrique dos Santos, a documentação ainda não explica com precisão quais áreas devem ser protegidas nem reúne informações suficientes sobre os valores históricos, arquitetônicos, arqueológicos, sociais e antropológicos dos parques. Os argumentos ambientais já estão mais desenvolvidos, afirmou Santos.

A delimitação do Parque dos Poderes, porém, ainda precisa ser definida. Segundo ele, a proposta pode considerar o traçado original, planejado nos anos 1980, ou incluir outras áreas, como o acesso à Assembleia Legislativa e a região da Academia de Polícia. Os perímetros dos parques do Prosa e das Nações Indígenas já estão definidos. A complementação dos estudos cabe aos autores do pedido, apresentado por movimentos da sociedade civil representados pela vereadora Luíza Ribeiro.

Bióloga e ambientalista ligada ao SOS Parque dos Poderes, Vivian Almeida Assunção participou, em 2018, da mobilização contra o desmatamento de 3,3 hectares em frente à Sefaz (Secretaria de Fazenda). Segundo ela, um relatório elaborado pelo movimento apontou a presença de animais na área e problemas de drenagem que poderiam se agravar com a retirada da vegetação. Durante o colóquio, a ambientalista também manifestou preocupação com a verticalização, os impactos de novas construções na região e falhas na aplicação da legislação.

Ela citou ainda o assoreamento do lago do Parque das Nações Indígenas, que, segundo afirmou, voltou a acumular sedimentos após uma intervenção para removê-los. Para Vivian, novos empreendimentos não deveriam ser liberados antes de haver respostas claras sobre seus impactos. Por isso, tem divulgado um abaixo-assinado para impedir a construção de grandes empreendimentos no entorno dos parques. De acordo com João Santos, o Iphan se aproximou da UFMS para ajudar a reunir as informações necessárias.

“A gente precisa complementar informações dos valores arquitetônicos, dos valores históricos, dos valores arqueológicos, dos valores sociais e antropológicos”, disse. Contribuição da UFMS - A universidade começou a contribuir por meio de atividades de ensino, pesquisa e extensão. O coordenador do Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo da UFMS, Júlio Bottega, afirmou que o trabalho envolve também professores e estudantes de História e Ciências Sociais. Entre as pesquisas, a equipe de Arquitetura pretende estudar a paisagem, os edifícios e o traçado urbano e viário.

A expectativa é apresentar resultados ao Iphan no próximo ano. Segundo Bottega, o estudo considera o conjunto, e não os prédios isoladamente. A pesquisa busca recuperar a história do projeto do Parque dos Poderes, incluindo a participação dos arquitetos Sérgio Bernardes e Roberto Burle Marx nos estudos iniciais. A proposta original previa dez edifícios, dos quais nove foram construídos. Para o coordenador, a criação de Mato Grosso do Sul e a transformação de Campo Grande em capital ajudam a sustentar a relevância nacional do conjunto.

O colóquio também abriu espaço para discutir as mudanças na paisagem, como alterações nos edifícios e construções altas no entorno dos parques. A proposta de tombamento dos três parques foi apresentada pela primeira vez ao governo estadual em 2018, com a intenção de proteger bens de valor histórico, cultural, arquitetônico ou ambiental. Em 2023, Luíza Ribeiro apresentou uma proposta na Câmara Municipal, mas ela foi arquivada pela Comissão de Legislação, Justiça e Redação Final antes de ser debatida em plenário.

Os parques - O Parque das Nações Indígenas ocupa cerca de 116,4 hectares, dos quais aproximadamente 70% são formados por gramados e vegetação nativa. A área é integrada ao Parque Estadual do Prosa, que tem cerca de 135 hectares. Já o Parque dos Poderes soma 255,3 hectares, dos quais cerca de 193 hectares são de reserva ecológica e vegetação nativa do Cerrado. O local abriga as sedes dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário de Mato Grosso do Sul, além de pistas de caminhada e ciclovias.

Os três parques abrigam um dos últimos remanescentes de Cerrado e Mata Atlântica da região e apresentam rica biodiversidade, com mais de 230 espécies de aves, além de espécies da fauna e da flora endêmicas e ameaçadas. Situadas na parte alta da cidade, segundo Vivian Almeida Assunção, essas áreas permeáveis também contribuem para a infiltração da água da chuva, ajudando a prevenir alagamentos e enchentes. A ambientalista acrescenta que, além da importância ambiental, os parques são espaços procurados pela população para contemplar a natureza e praticar atividades físicas.

Fonte: Campo Grande News

Leia também