Grupos extremistas migram para plataformas menores após restrições ao Discord
Grupos extremistas suspeitos de envolvimento em crimes virtuais estão migrando para plataformas de comunicação menores e com menos mecanismos de fiscalização, após as restrições impostas ao Discord no Brasil. A movimentação busca dificultar o monitoramento das autoridades e permitir a continuidade das atividades criminosas, conforme reportagem publicada pelo jornal O Globo nesta terça-feira (3). O
Redação Diário Pantanal
03/11/2026, 11:30

Grupos extremistas suspeitos de envolvimento em crimes virtuais estão migrando para plataformas de comunicação menores e com menos mecanismos de fiscalização, após as restrições impostas ao Discord no Brasil. A movimentação busca dificultar o monitoramento das autoridades e permitir a continuidade das atividades criminosas, conforme reportagem publicada pelo jornal O Globo nesta terça-feira (3). O caso motivou a Operação Lívia, conduzida pela Polícia Civil de MS. A ação foi desencadeada após a morte de adolescente de 13 anos, ocorrida em Naviraí, em consequência de ameaças de grupo usuário do Discord.
A mudança ocorre depois que a ANPD (Agência Nacional de Proteção de Dados) determinou, em agosto, a suspensão das transmissões ao vivo do Discord. A medida foi adotada diante de falhas identificadas na proteção de crianças e adolescentes, especialmente em ambientes utilizados para práticas de violência, assédio e incentivo à automutilação e ao suicídio. Segundo a reportagem, investigadores identificaram que grupos envolvidos nessas práticas passaram a procurar serviços menos conhecidos, nos quais a fiscalização e a identificação dos participantes podem ser mais difíceis.
A migração representa um novo desafio para as autoridades responsáveis pelo combate aos crimes digitais. A decisão da ANPD atingiu a ferramenta Go Live , utilizada para transmissões ao vivo em servidores fechados. O órgão esclareceu que a plataforma não foi bloqueada, mas que o recurso permaneceria suspenso até a comprovação de medidas eficazes de segurança. Conforme a agência, o Discord apresentava falhas na prevenção e identificação de conteúdos que colocavam menores de idade em risco.
A estrutura técnica das transmissões também dificultava o acompanhamento em tempo real de possíveis violações. Caso em MS – As investigações ganharam força depois da morte de uma adolescente de 13 anos, em Naviraí, distante 359 quilômetros de Campo Grande, em julho deste ano. Conforme as autoridades, a menina foi ameaçada e induzida por integrantes de um grupo virtual a praticar atos contra a própria vida durante uma transmissão ao vivo. Na primeira fase, cinco adolescentes foram apreendidos e um jovem de 18 anos foi detido.
Também foram cumpridos mandados de busca e apreensão em diferentes estados. Em agosto, o governo federal também apresentou uma ação judicial para exigir que o Discord adotasse mecanismos mais eficazes de proteção aos usuários, especialmente crianças e adolescentes. A ação inclui pedido de indenização por dano moral coletivo de R$ 500 milhões. A ANPD informou que o processo de fiscalização pode resultar em novas medidas corretivas e sanções, incluindo multas de até R$ 50 milhões por infração, conforme previsto no ECA Digital (Estatuto Digital da Criança e do Adolescente).
Fonte: Campo Grande News



