Galo vira mascote de conveniência e até coloca clientes para correr
Imagine entrar em uma conveniência para comprar uma bebida ou algum produto para casa e encontrar um funcionário diferente, que anda livremente entre os clientes e, dependendo do humor, pode até colocar alguém para correr. Na Conveniência Ki Festa, localizada na Avenida Tiradentes, 879, na Vila Taveirópolis, em Campo Grande, quem chama a atenção é João, um galo que vive no estabelecimento há quase
Redação Diário Pantanal
20/10/2026, 08:30

Imagine entrar em uma conveniência para comprar uma bebida ou algum produto para casa e encontrar um funcionário diferente, que anda livremente entre os clientes e, dependendo do humor, pode até colocar alguém para correr. Na Conveniência Ki Festa, localizada na Avenida Tiradentes, 879, na Vila Taveirópolis, em Campo Grande, quem chama a atenção é João, um galo que vive no estabelecimento há quase cinco anos e se tornou o mascote do comércio. A proprietária, Rose Mara Roberto da Rosa, conta que João chegou ao local ainda pequeno, depois que ela encontrou uma galinha acompanhada de vários pintinhos em um comércio de plantas.
Encantada com os animais, decidiu comprar um casal de galos da raça garnizé, conhecidos pelo tamanho reduzido. “Eu passei num lugar que vende plantas e vi uma galinha cheia de pintinhos, garnizezinhos, muito pequenininhos. Fiquei encantada e falei que queria um daquele para mim. Perguntei para o homem se vendia, ele disse que sim, e eu comprei um casalzinho. Era ele e a menininha”, recorda. Desde então, João cresceu dentro da conveniência, onde aprendeu a circular livremente.
O galo passeia pela parte da frente, visita os fundos do estabelecimento e tem até um poleiro reservado para descansar durante a noite. Apesar de ter liberdade para andar, não costuma sair para a rua. “Ele foi crescendo aqui com a gente, solto, e foi ficando à vontade. Vai onde quer, vai para a frente, vai lá para o fundo. Ele sobe ali, tem um poleirinho onde fica à noite. Acostumou desse jeito e não vai para a rua. Ele é solto, é livre, vai onde ele quer”, explica Rose. Famoso com os clientes - Mas a convivência com João também tem seus desafios.
Apesar da aparência pequena, o galo possui personalidade forte e nem sempre recebe os visitantes com simpatia. Segundo a comerciante, alguns clientes despertam a implicância do animal e acabam precisando acelerar o passo para escapar das investidas. “As histórias engraçadas são essas mesmo, porque quando ele não gosta do cliente, ele bota o cliente para correr. Leva o cliente até lá na esquina, vai correndo atrás. Aí a gente tem que ir lá socorrer o cliente. Ele vai atrás, bota para correr mesmo.
Ele é terrível”, conta, aos risos. A comerciante afirma que a reação de João varia conforme a pessoa. Enquanto alguns consumidores conseguem fazer suas compras sem receber qualquer atenção do galo, os proprietários precisam proteger outros. “Tem cliente de quem ele não gosta, ele pega birra. Aí temos que colocar ele para dentro, porque senão ele ataca. Já tem cliente para quem ele não liga, fica de boa. Não sei explicar por que ele escolhe uns e outros não. Mas é assim, ele é criado solto, é livre”, relata.
Mesmo com as perseguições ocasionais, João conquistou a simpatia de boa parte da clientela. Rose conta que algumas famílias chegam ao comércio especialmente para apresentar o animal às crianças. A visita, porém, exige atenção, porque o galo não gosta muito da aproximação dos pequenos. Além de João, Rose cuida de 8 cachorrinhos que vivem livremente nos fundos do estabelecimento. Criados juntos desde pequenos, os animais convivem como irmãos e recebem os mesmos cuidados e carinho da proprietária.
Segundo ela, a relação é tranquila, embora ocorram algumas desavenças de vez em quando . “Como eles foram criados juntos, de vez em quando tem uma desavença, coisa de irmão, mas é normal. Nada muito fora do normal”, conta. “A maioria dos clientes gosta dele. Tem gente que vem trazer as crianças para ver o João e os cachorrinhos. As crianças pedem para vir aqui para ver ele. Só que temos que ficar cuidando, porque ele não gosta de criança. Quando vem alguma, precisamos prestar atenção para ele não machucar”, explica.
A presença de João também interfere na rotina de trabalho. Nos momentos de maior movimento, Rose precisa dividir a atenção entre o atendimento e o comportamento do mascote. Se percebe que ele está incomodado com alguém, interrompe o que está fazendo para evitar problemas. “Dá trabalho no sentido de ter que ficar cuidando dos clientes, porque ele pode machucar. Às vezes está cheio de gente, o pessoal está lá fora e você tem que parar o atendimento para ir colocar o João para dentro.
É essa a preocupação, porque não dá para deixar ele perto de todo mundo sem olhar”, afirma. A história do galo também tem uma perda. João chegou à conveniência acompanhado de uma fêmea da mesma raça e coloração, mas ela morreu. Desde então, vive sozinho, e Rose decidiu não procurar outra companheira. Segundo a proprietária, quando estava acompanhado, ele apresentava um comportamento ainda mais agressivo. “Era um casal, os dois eram cinzas, eram irmãos. Aí a menininha morreu e ficou só ele.
O pessoal fala para arrumar uma companheira, mas quando ele tem companhia fica muito bravo, mais agressivo, ataca até eu. Fica muito ciumento. Então decidi que não vou arrumar mais ninguém, vou deixar ele sozinho”, explica. Apesar do temperamento, João recebe cuidados e tem uma alimentação variada. Além da quirera, alimento comum para aves, o galo gosta de amendoim e até de paçoca, segundo a proprietária. Rose também precisa ficar atenta ao crescimento das esporas, estruturas pontiagudas presentes nas patas dos galos, que podem provocar ferimentos.
“Ele come quirera, come paçoca, gosta de amendoim. A espora dele nós já cortamos acho que umas 4 vezes, porque cresce demais e machuca. Então tem que cuidar também dessa parte”, conta. A convivência diária transformou João em uma presença conhecida no estabelecimento. Ele acompanha o movimento, observa quem chega e escolhe quando prefere ficar próximo das pessoas ou se afastar. Para Rose, o animal já faz parte da rotina da família e do próprio comércio, cujo principal produto são as bebidas, embora também ofereça outros itens comuns para a rotina do dia a dia.
O galo ganhou espaço no ambiente sem precisar de gaiolas ou cercados e passou a fazer parte da identidade da conveniência. Mesmo com o carinho pelo mascote, Rose afirma que não pretende criar outros galos futuramente. A necessidade de vigiar o comportamento do animal, especialmente durante a presença de crianças, exige cuidados constantes. Ela explica que prefere manter João livre enquanto puder, respeitando os hábitos que ele desenvolveu desde pequeno, mas reconhece que a experiência de criar uma ave dentro de um comércio exige responsabilidade.
Na Ki Festa, João não precisa atender no caixa, repor mercadorias ou organizar as bebidas para ser considerado parte da equipe. Com seu poleiro, suas comidas preferidas e a liberdade de circular pelo estabelecimento, o galo se tornou uma atração à parte.
Fonte: Campo Grande News



