Fórum debate como conciliar avanço da Rota Bioceânica com sustentabilidade em MS
O avanço da Rota Bioceânica e os desafios para transformar o corredor internacional em um vetor de desenvolvimento econômico, social e ambientalmente sustentável estão no centro das discussões do II Fórum MS Sustentabilidade, realizado nesta segunda e terça-feira, dias 2 e 3 de novembro, no Centro de Convenções Arquiteto Rubens Gil de Camillo, em Campo Grande. O encontro reúne representantes do po
Redação Diário Pantanal
03/11/2026, 11:30

O avanço da Rota Bioceânica e os desafios para transformar o corredor internacional em um vetor de desenvolvimento econômico, social e ambientalmente sustentável estão no centro das discussões do II Fórum MS Sustentabilidade, realizado nesta segunda e terça-feira, dias 2 e 3 de novembro, no Centro de Convenções Arquiteto Rubens Gil de Camillo, em Campo Grande. O encontro reúne representantes do poder público, empresários, universidades, especialistas e lideranças do Brasil e de países envolvidos na integração sul-americana.
O objetivo é discutir como aproveitar as oportunidades abertas pelo corredor, sem deixar de lado a preservação ambiental, a inclusão social e a melhoria da qualidade de vida das comunidades ao longo do trajeto. Os debates estão alinhados aos ODSs (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável) da Organização das Nações Unidas, especialmente os relacionados à energia limpa (ODS 7), infraestrutura e inovação (ODS 9), cidades sustentáveis (ODS 11), ação climática (ODS 13), proteção da vida terrestre (ODS 15) e parcerias (ODS 17).
Para o diretor de Operações do Sebrae/MS, Tito Estanqueiro, um dos principais desafios é preparar os pequenos negócios dos municípios sul-mato-grossenses para aproveitar o crescimento da atividade econômica que deverá acompanhar a consolidação do corredor. Segundo ele, a instituição já desenvolve ações em parceria com associações comerciais, sindicatos rurais e prefeituras, mas pretende intensificar esse trabalho em 2027. "É muito importante qualificar os empreendedores que estão no território, porque, quando surgir um mercado, os de fora vão querer absorver esse mercado", afirmou.
Estanqueiro destacou que o corredor poderá dinamizar não apenas a região oeste, mas toda a economia estadual. Entre as oportunidades mais imediatas, apontou o turismo, especialmente em municípios como Jardim, Bonito e Porto Murtinho. A organizadora do evento e representante da DuBem Sustentável, Ana Cristina Franzoloso, ressaltou que a expansão econômica precisa ser acompanhada por planejamento e responsabilidade compartilhada. Segundo ela, a proposta do fórum é aproximar governos, iniciativa privada, universidades e sociedade civil para construir soluções aos desafios que surgirão com a integração regional.
"Não tem como falar de saúde sem falar de desenvolvimento sustentável. Não tem como falar de tecnologia e inovação sem falar de impacto", destacou, ao defender a integração dos aspectos ambientais, sociais e de governança. Projetos e integração internacional Uma das iniciativas apresentadas no encontro é o Desafio dos ODS no Corredor Bioceânico, que mobilizou universidades e profissionais na elaboração de propostas para problemas identificados nos territórios atravessados pela rota.
De acordo com Marcos Rocha Martins da Silva, coordenador-geral do Movimento Nacional ODS/MS, mais de 40 trabalhos participaram da iniciativa. Desse total, 12 foram selecionados para apresentação durante o fórum, com a escolha de três vencedores. A proposta é aproximar o conhecimento acadêmico das necessidades práticas das comunidades e estimular soluções relacionadas à sustentabilidade, inovação e desenvolvimento regional. Outro ponto abordado foi a necessidade de avançar na integração entre os países, especialmente na harmonização dos procedimentos alfandegários.
O gestor de negócios internacionais do Escritório Comercial de Tarapacá, no Chile, em Campo Grande, Fábio Roberto Cordeiro, destacou que, além das obras de infraestrutura, a operacionalização do corredor dependerá de medidas conjuntas entre Brasil, Paraguai, Argentina e Chile. Segundo ele, a Receita Federal realizou uma expedição para conhecer estruturas aduaneiras dos países envolvidos, identificar gargalos e avaliar possibilidades de harmonização dos procedimentos. A iniciativa busca preparar o corredor para o aumento da circulação internacional de mercadorias quando as conexões rodoviárias estiverem plenamente operacionais.
Para ele, a consolidação da Rota Bioceânica exigirá mais do que estradas e pontes. O desafio será transformar a integração logística em oportunidades concretas de negócios, geração de renda e desenvolvimento sustentável para as populações dos territórios envolvidos.
Fonte: Campo Grande News
