Fim da escala 6x1 precisa de plano para sair do papel, diz Nelsinho
Garantir mais tempo de descanso ao trabalhador exige também definir como reorganizar jornadas, preservar salários e manter os serviços funcionando. Esse foi o argumento apresentado pelo senador Nelsinho Trad (PSD-MS) ao defender a aprovação do fim da escala 6x1, em que se trabalham seis dias para um de folga. Médico do trabalho, o parlamentar sustentou que a discussão precisa considerar a saúde fí
Redação Diário Pantanal
15/10/2026, 08:45

Garantir mais tempo de descanso ao trabalhador exige também definir como reorganizar jornadas, preservar salários e manter os serviços funcionando. Esse foi o argumento apresentado pelo senador Nelsinho Trad (PSD-MS) ao defender a aprovação do fim da escala 6x1, em que se trabalham seis dias para um de folga. Médico do trabalho, o parlamentar sustentou que a discussão precisa considerar a saúde física e mental de quem enfrenta essa rotina. Para ele, o período de descanso deve permitir mais do que recuperar as forças para voltar ao emprego: precisa abrir espaço para a convivência familiar, os cuidados com a casa e a vida pessoal.
“O trabalhador precisa ter tempo para descansar, cuidar da saúde e conviver com a família”, afirmou. Ao apoiar a mudança, Nelsinho levou ao debate três frentes que considera necessárias para sua aplicação: regras claras e adaptação gradual, suporte aos pequenos empreendedores e avaliação dos impactos sobre os municípios. “A ideia é boa e merece ser aprovada”, disse. Segundo o senador, a implantação precisa respeitar as particularidades de cada atividade e os direitos constitucionais, com tempo para que os empregadores reorganizem suas operações.
O desafio é transformar a redução da jornada em descanso efetivo, com preservação dos salários e dos postos de trabalho. Nelsinho defendeu que esses resultados sejam acompanhados pelo Congresso depois da aprovação, para verificar o cumprimento das novas regras. No caso dos micro e pequenos negócios, o parlamentar pediu continuidade das políticas de apoio. Citou o Prospera MEI, anunciado pelo governo federal, como referência para defender atenção aos empreendedores durante a transição.
“Essa atenção aos pequenos empreendedores precisa continuar depois da aprovação da nova jornada”, declarou. Outra preocupação apresentada foi a capacidade das prefeituras de absorver eventuais despesas. Nelsinho relatou ter recebido da Confederação Nacional de Municípios (CNM) uma estimativa de impacto de R$ 46 bilhões sobre os orçamentos municipais. Também mencionou projeções da Federação Nacional das Escolas Particulares (Fenep), que calcula acréscimo anual de R$ 9,92 bilhões nos custos do setor e alta de 8% nas mensalidades.
Os valores são estimativas das entidades citadas pelo senador. Para o parlamentar, esses impactos precisam ser discutidos com transparência, acompanhados de alternativas para manter os serviços essenciais sem transferir automaticamente novas despesas às prefeituras. A proposta de acompanhamento pelo Congresso inclui verificar se os períodos de descanso estão sendo respeitados, se os salários permanecem preservados e como a mudança repercute no emprego formal e na prestação de serviços públicos.
Ao comentar mudanças de posição entre parlamentares, Nelsinho defendeu que o debate permita rever entendimentos. “Mudar de opinião depois de ouvir argumentos é uma virtude, não uma fraqueza”, afirmou.
Fonte: Campo Grande News
