Diário Pantanal
—
Campo GrandeConsultando tempo…

Drones fizeram até 11 entregas em presídio sob suspeita de conivência

A Operação Colete de Troia, deflagrada nesta quarta-feira (21) pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado), ocorreu após sucessivos episódios de entrada de materiais ilícitos por drones na PED (Penitenciária Estadual de Dourados). O Campo Grande News apurou que as investigações também se concentram nas diferenças de atuação entre equipes de policiais penais, na falta de

Redação Diário Pantanal

21/10/2026, 12:45

Drones fizeram até 11 entregas em presídio sob suspeita de conivência

A Operação Colete de Troia, deflagrada nesta quarta-feira (21) pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado), ocorreu após sucessivos episódios de entrada de materiais ilícitos por drones na PED (Penitenciária Estadual de Dourados). O Campo Grande News apurou que as investigações também se concentram nas diferenças de atuação entre equipes de policiais penais, na falta de protocolos para impedir as entregas e na suspeita de conivência de servidores com o esquema criminoso.

Entre junho e outubro deste ano, drones sobrevoaram repetidamente a penitenciária durante a madrugada para entregar malotes diretamente nas celas. Em algumas ocasiões, os equipamentos fizeram mais de dez viagens em poucas horas, sem que os policiais conseguissem impedir a entrada dos objetos. As entregas envolviam drogas, aparelhos celulares, chips e outros materiais proibidos. Parte dos pacotes foi apreendida, mas outros chegaram aos presos sem que seu conteúdo fosse recuperado.

O Campo Grande News também apurou que um dos principais pontos de atenção da investigação é a diferença de resultados entre os plantões. Equipes comandadas por determinados policiais penais apresentam registros de apreensões e intervenções, enquanto ocorrências atendidas pelos plantões de outros servidores frequentemente terminam sem a recuperação dos materiais. Nesses casos, a justificativa apresentada é a falta de pessoal, armamento e equipamentos de proteção adequados para agir durante a madrugada.

Os policiais relatam que as condições de segurança impedem intervenções imediatas, mesmo quando os drones são identificados pelo sistema de monitoramento. A investigação busca esclarecer se essas diferenças decorrem efetivamente das limitações operacionais ou se existem omissões deliberadas que permitiram a entrada dos produtos. Outro ponto sob apuração é a ausência de um procedimento uniforme para enfrentar as entregas clandestinas. Grupamento especializado A atuação do Cope (Comando de Operações Penitenciárias) também levanta questionamentos.

O Campo Grande News apurou que o grupamento especializado mantém uma base ao lado da penitenciária, mas não recebe autorização para intervir nesse tipo de ocorrência. Há relatos de que os integrantes do Cope permanecem durante a noite sem ser acionados, mesmo diante das sucessivas invasões do espaço aéreo da unidade prisional. A falta de mobilização do grupamento, apesar da proximidade com o presídio, é apontada como uma das situações que precisam ser esclarecidas na apuração sobre possível conivência de agentes públicos.

Ainda não há confirmação de que essa omissão tenha sido determinada para beneficiar o esquema criminoso. Entregas continuaram até a operação A movimentação dos drones não se restringiu aos meses anteriores à investigação. Segundo informações apuradas pelo Campo Grande News , no domingo (18), três dias antes da operação, houve a entrega de 11 malotes por drone na penitenciária. Um dos policiais penais investigados estava de serviço naquela ocasião, embora não fosse seu dia regular de plantão.

A presença do servidor fora da escala habitual é uma das circunstâncias que despertam suspeitas. Durante o cumprimento dos mandados nesta quarta-feira, os investigadores apreenderam o telefone celular desse policial e R$ 18 mil em espécie. A origem do dinheiro e sua eventual relação com o esquema são investigadas. O material recolhido poderá ajudar a identificar contatos, movimentações financeiras e possíveis vínculos entre servidores, presos e pessoas responsáveis pelo envio dos pacotes.

Esquema é investigado desde 2024 Deflagrada pelo MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul), a Operação Colete de Troia tem como objetivo apurar a participação de policiais penais na entrada de drogas, celulares e outros materiais proibidos na Penitenciária Estadual de Dourados. As investigações começaram em meados de 2024 e apontam a existência de uma organização criminosa formada por servidores públicos, presos e pessoas de fora da unidade. Conforme o Gaeco, policiais penais são suspeitos de utilizar suas funções para facilitar a entrada de produtos ilegais, posteriormente distribuídos e comercializados dentro da penitenciária.

O esquema também teria utilizado drones para transportar as encomendas até as celas. Nesta quarta-feira, foram cumpridos dez mandados de busca e apreensão em Dourados, Ivinhema, Rio Brilhante e Paranavaí (PR). Os mandados foram cumpridos inclusive na PED. Uma advogada também foi alvo de mandado de busca. Os nomes dos investigados não foram divulgados. A operação pretende esclarecer a participação individual dos investigados, a possível existência de pagamentos para facilitar as entregas e a responsabilidade de servidores pelas falhas de segurança identificadas na unidade.

Agepen Em nota, a Agepen (Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário) informou que, junto com a Polícia Penal de Mato Grosso do Sul, atua de forma integrada com o Gaeco e demais órgãos de segurança no enfrentamento à corrupção e à entrada de materiais ilícitos no sistema prisional. “A instituição mantém ações de inteligência, fiscalização e apuração de possíveis irregularidades, com a adoção das medidas administrativas e legais cabíveis diante de fatos comprovados”, diz.

A agência informou também que a Corregedoria-Geral acompanha o cumprimento de mandados de busca e apreensão em residências. “Paralelamente, a Polícia Penal realiza vistorias nas celas da Penitenciária Estadual de Dourados, com equipes da Gerência de Inteligência do Sistema Penitenciário e do Cope (Comando de Operações Penitenciárias), em apoio às ações relacionadas à operação”. Por fim, a Agepen ressalta que eventuais condutas individuais sob investigação não representam o trabalho da Polícia Penal como um todo, “desenvolvido diariamente por servidores comprometidos com a legalidade, a disciplina e a segurança pública”.

Diz ainda que não compactua com desvios de conduta e reafirma que situações dessa natureza “devem ser rigorosamente apuradas, com a devida responsabilização dos envolvidos, assegurado o devido processo legal”.

Fonte: Campo Grande News

Leia também