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Dono de clube de futebol diz ter demitido petista, mas alega brincadeira

Ari Portugal, 61, dono do Clube Atlético Colorado, time de futebol de base de Campo Grande, afirmou, em áudio enviado a grupo de WhatsApp, que demitiu uma funcionária por descobrir que ela apoiava o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Na gravação, ele relata que a mulher trabalhava havia três anos em sua casa e que foi dispensada por manifestar apoio ao petista nas redes sociais. Procurado

Redação Diário Pantanal

26/10/2026, 16:30

Dono de clube de futebol diz ter demitido petista, mas alega brincadeira

Ari Portugal, 61, dono do Clube Atlético Colorado, time de futebol de base de Campo Grande, afirmou, em áudio enviado a grupo de WhatsApp, que demitiu uma funcionária por descobrir que ela apoiava o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Na gravação, ele relata que a mulher trabalhava havia três anos em sua casa e que foi dispensada por manifestar apoio ao petista nas redes sociais. Procurado pelo Campo Grande News , porém, Portugal negou a demissão e disse que tudo não passou de uma brincadeira entre integrantes de um grupo de dirigentes de clubes de futebol.

A gravação começou a circular depois do segundo turno da eleição presidencial, realizado no domingo (25), que terminou com a reeleição de Lula. No áudio, o dono do time demonstra insatisfação com o resultado e afirma que decidiu dispensar a empregada ao descobrir sua preferência política. "Mas eu acabei de demitir minha funcionária, que trabalha comigo há três anos. E eu fiquei sabendo ontem que ela era petista, pegando o meu dinheiro, né? E vivendo com o meu dinheiro, que eu sou da direita, não sou Bolsonaro, sou da direita", afirma.

Portugal também declara que não concorda em manter uma pessoa com posicionamento político diferente do seu trabalhando em sua residência. Segundo o relato, a funcionária teria publicado uma manifestação de apoio a Lula nas redes sociais. "E demiti minha funcionária. Eu acho que petista tem que trabalhar com petista. E eu não aceito, e ela saiu daqui chorando agora, não tô com nenhum remorso, nenhum. Porque ela foi na rede social e botou o L, e eu não vou alimentar petista com o meu dinheiro", diz em outro trecho.

Portugal encerra a gravação afirmando que não pretende manter pessoas que apoiem o PT trabalhando para ele. Também questiona o resultado da eleição e afirma, sem apresentar provas, que houve fraude na votação. Versão – Em conversa com a reportagem, Ari Portugal apresentou uma versão diferente daquela divulgada no grupo. Ele afirmou que o áudio era uma provocação dirigida a conhecidos e que não existe funcionária demitida. "Isso aí é zoação só, palhaçada", declarou. Segundo Portugal, a conversa ocorreu em um grupo de WhatsApp formado por presidentes de clubes de futebol, no qual existem integrantes com diferentes preferências políticas.

"Tem, acho que, três ou quatro petistas lá, e aí o grupo inteiro caiu de pau neles, né? Antes da eleição. Aí hoje, hoje de manhã, ele levantou a paz e tirou todo mundo do sério. Mas, assim, na brincadeira, né? É zoação, né?", explicou. Questionado diretamente se a história da funcionária era inventada, o dono do clube negou a existência da trabalhadora mencionada na primeira gravação. "Não tem nada. Faz três anos que eu não tenho funcionária", respondeu. Ele também afirmou que a circulação do áudio fora do grupo acabou ampliando a repercussão de uma conversa que, segundo sua versão, tinha caráter de brincadeira.

Assédio eleitoral – O episódio ocorre em meio ao aumento das denúncias de assédio eleitoral em Mato Grosso do Sul. Conforme levantamento divulgado pelo MPT-MS (Ministério Público do Trabalho em Mato Grosso do Sul) na quinta-feira (22), o Estado registrou 29 denúncias neste ano, contra 11 contabilizadas até o primeiro turno, em 4 de outubro. O crescimento foi de 136,4%. Segundo a cartilha do MPT sobre assédio eleitoral, trabalhadores não podem sofrer ameaças, constrangimentos, perseguições ou prejuízos profissionais em razão de suas convicções políticas.

A proteção também abrange manifestações de apoio a candidatos e partidos. O órgão considera que a prática pode ocorrer tanto no ambiente de trabalho quanto em situações relacionadas à atividade profissional, inclusive por meio de mensagens e publicações em ambientes digitais. Ameaças de demissão, tratamento discriminatório e retaliações motivadas pela preferência política estão entre as condutas que podem caracterizar assédio eleitoral. As orientações do MPT protegem a liberdade de escolha política dos trabalhadores, independentemente do candidato ou partido apoiado.

A eventual caracterização de assédio eleitoral depende da análise das circunstâncias e da relação entre os envolvidos. No caso de Ari Portugal, não há confirmação de que uma funcionária tenha sido demitida por motivação política. Sustenta que inventou a história para provocar integrantes do grupo de Whatsapp. O MPT-MS esclarece que as denúncias de assédio eleitoral continuam sendo recebidas mesmo com o encerramento das eleições. A procuradora-chefe do órgão, Cândice Arosio, afirma que situações relatadas depois da votação também podem ser investigadas.

“O MPT continua recebendo denúncias mesmo após o encerramento da eleição ou de um turno específico. A atuação do órgão não se limita ao dia da votação, pois é necessário apurar as situações relatadas e adotar as medidas cabíveis quando constatadas irregularidades”, explicou em comunicado.

Fonte: Campo Grande News

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