Diagnóstico revela barreiras à saúde sexual e reprodutiva de presas em MS
Mais da metade das mulheres ouvidas em seis unidades prisionais femininas do interior de Mato Grosso do Sul afirmou não ter recebido informações sobre direitos sexuais e reprodutivos. O "Diagnóstico com perspectiva de gênero e atendimento pelo Nudem das mulheres que cumprem pena no regime fechado - Etapa de Interiorização" também apontou que 58,6% disseram não ter acesso a métodos contraceptivos d
Redação Diário Pantanal
30/10/2026, 14:30

Mais da metade das mulheres ouvidas em seis unidades prisionais femininas do interior de Mato Grosso do Sul afirmou não ter recebido informações sobre direitos sexuais e reprodutivos. O "Diagnóstico com perspectiva de gênero e atendimento pelo Nudem das mulheres que cumprem pena no regime fechado - Etapa de Interiorização" também apontou que 58,6% disseram não ter acesso a métodos contraceptivos durante a prisão. Outras 53,7% disseram não ter recebido informações sobre o tema e 62,3% afirmaram que usavam medicação contínua.
O levantamento foi desenvolvido pelo Nudem (Núcleo Institucional de Promoção e Defesa dos Direitos da Mulher) em parceria com a CPES (Coordenadoria de Pesquisas e Estudos). Entre novembro de 2025 e julho de 2026, 488 mulheres aceitaram participar das entrevistas, o que representa cerca de dois terços das 731 custodiadas nas seis unidades em agosto de 2026. Na área da saúde mental, a apresentação informou que psicotrópicos estavam entre os medicamentos citados pelas entrevistadas.
A Defensoria Pública ressaltou, contudo, que o uso desses remédios, por si só, não comprova prescrição inadequada. O dado se refere ao uso de medicação contínua. A psicóloga do Nudem, Keila Oliveira Antônio, que participou das entrevistas, relatou ter ouvido de algumas mulheres que faziam uso de diferentes medicamentos psiquiátricos e que não haviam passado por consulta com psiquiatra. Ela ponderou que saúde mental não se resume ao uso de medicação. Esses relatos são observações de campo e não aparecem como um resultado quantificado do diagnóstico.
A pesquisa registrou ainda histórias de violência anteriores ao encarceramento: 56,5% das entrevistadas disseram ter sofrido violência doméstica antes da prisão e 39,3% relataram violência ou abuso sexual na infância ou adolescência. Os dados não estabelecem, por si só, relação entre essas experiências e a situação de saúde das mulheres. As entrevistas foram realizadas em unidades de Rio Brilhante, São Gabriel do Oeste, Três Lagoas, Corumbá, Ponta Porã e Jateí. A psicóloga explicou que a amostra não foi estratificada por unidade, e nem todas as participantes responderam a todas as perguntas.
Os dados vão orientar o planejamento de ações da Defensoria Pública, ajudar a aprimorar o atendimento jurídico e contribuir para o debate de políticas públicas voltadas às mulheres privadas de liberdade.
Fonte: Campo Grande News



