Campo-grandense leva história contra racismo à feira internacional
Um artista de Campo Grande vai levar o nome de Mato Grosso do Sul a um dos maiores encontros para profissionais e amantes dos quadrinhos. Aos 47 anos, Emmanuel Merlotti será um dos nomes no FIQ (Festival Internacional de Quadrinhos), onde apresentará o trabalho que produz no Estado e lançará uma história que usa a ficção para discutir preconceito e lutar contra o racismo. Filho de artista plástico
Redação Diário Pantanal
31/10/2026, 08:15

Um artista de Campo Grande vai levar o nome de Mato Grosso do Sul a um dos maiores encontros para profissionais e amantes dos quadrinhos. Aos 47 anos, Emmanuel Merlotti será um dos nomes no FIQ (Festival Internacional de Quadrinhos), onde apresentará o trabalho que produz no Estado e lançará uma história que usa a ficção para discutir preconceito e lutar contra o racismo. Filho de artista plástico, Emmanuel Merlotti cresceu em meio a tintas e desenhos. Nascido em Campo Grande, encontrou nos quadrinhos uma paixão que passou pela infância e acabou se transformando em profissão e um meio de luta social e resistência.
O quadrinista conta que a relação com a arte começou dentro de casa. O pai, o artista plástico J. Nogueira, foi quem o levou ao primeiro contato com esse universo. “Ele sempre me deu liberdade para desenhar e o incentivo vinha principalmente das folhas de papel que ele me comprava”, comenta. Mas foram os quadrinhos e as animações dos anos 1980 que deram forma ao estilo. Fã de personagens como Conan e desenhos como Thundercats, ele passou a fazer os próprios desenhos por conta própria, sem uma formação acadêmica na área.
Depois de terminar os estudos, Emmanuel chegou a considerar uma faculdade de Artes Visuais, mas acabou seguindo outro caminho. Começou a ganhar dinheiro com seus desenhos e foi construindo a carreira de maneira independente. “Um dos meus primeiros trabalhos profissionais foi como chargista no jornal Primeira Hora. Fiquei lá por dois anos”, conta. Foi nesse período que ele também desenvolveu o olhar crítico que aparece em suas produções. Para ele, os quadrinhos não precisam ficar restritos ao entretenimento.
“Pelo contrário, os desenhos ser uma ferramenta para discutir questões sociais e enfrentar preconceitos. Minha ideia é combater o reacionarismo na minha área fazendo as charges”, explica. O artista observa, inclusive, contradições dentro da parte da comunidade, que consome histórias de personagens historicamente ligados a lutas contra a discriminação, mas que acaba reproduzindo discursos preconceituosos. Essa inquietação também aparece em seu personagem, inspirado nos heróis brucutus dos anos 1980.
Na nova história, o protagonista é um ex-detetive que carrega características daquele estilo de herói, mas passa por um processo de desconstrução e transformação. A obra será lançada durante o FIQ, evento que reúne quadrinistas de diferentes partes do Brasil e também convidados internacionais. A seleção permite que artistas independentes apresentem seus trabalhos, comercializem publicações e tenham contato com profissionais do mercado editorial. Considerado um dos principais encontros do segmento no País, o FIQ acontece a cada dois anos, em Belo Horizonte.
Nesta edição, a programação será realizada entre os dias 4 e 8 de novembro, com atividades diárias e entrada gratuita. Além da oportunidade de mostrar o trabalho ao público, o evento também promove rodadas de negócios com editoras nacionais. Nesse espaço, os artistas podem apresentar portfólios e conversar diretamente com empresas interessadas em descobrir novos talentos. “É uma oportunidade que pode trazer oportunidades profissionais, e que também incentiva a leitura. Durante o festival, estudantes de escolas municipais visitam o espaço, conversam com os artistas e têm contato com diferentes obras.
Isso fortalece a produção independente”, completa.
Fonte: Campo Grande News



