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Barcaça afundada e água barrenta deixam mineradora na mira da fiscalização em MS

O afundamento de uma barcaça carregada de minério no Rio Paraguai, a água barrenta que saiu das torneiras de uma comunidade tradicional e os transtornos provocados pelo fluxo de caminhões em estradas pantaneiras colocaram a mineradora LHG, do Grupo J&F, no centro de uma série de denúncias em Corumbá. Nesta segunda-feira (2), o prefeito Gabriel Alves de Oliveira, o Dr. Gabriel (PSB), afirmou que a

Redação Diário Pantanal

02/11/2026, 16:00

Barcaça afundada e água barrenta deixam mineradora na mira da fiscalização em MS

O afundamento de uma barcaça carregada de minério no Rio Paraguai, a água barrenta que saiu das torneiras de uma comunidade tradicional e os transtornos provocados pelo fluxo de caminhões em estradas pantaneiras colocaram a mineradora LHG, do Grupo J&F, no centro de uma série de denúncias em Corumbá. Nesta segunda-feira (2), o prefeito Gabriel Alves de Oliveira, o Dr. Gabriel (PSB), afirmou que a prefeitura avalia punir a empresa com multa por possíveis danos às comunidades afetadas pelas atividades de mineração no município.

“Os técnicos da Fundação de Meio Ambiente de Corumbá vão produzir um laudo sobre os impactos e, se houver essa comprovação, vamos tomar as providências necessárias”, disse à reportagem. Minérios e o Rio Paraguai - No último sábado (31), uma barcaça de minérios afundou no Terminal Privativo Gregório Curvo, localizado na região de Porto Esperança. O porto é um dos canais de embarque e desembarque na Hidrovia do Paraguai. As águas do Rio Paraguai ficaram avermelhadas no momento do incidente.

Não houve feridos. A suspeita é de contaminação por partículas de minérios e danos à vida aquática. A apuração sobre as causas do afundamento é feita pela Marinha do Brasil, enquanto a análise ambiental é de competência do Imasul (Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul), pasta do Governo Estadual. “A equipe técnica acompanha a situação no Rio Paraguai, com monitoramento e análises da qualidade da água. O Instituto foi comunicado pela empresa responsável e, desde então, alinhou as providências necessárias, cujos encaminhamentos estão sendo acompanhados”, informou o Imasul.

Diferentes pontos do rio serão analisados. “O monitoramento inclui coletas de amostras e medições de parâmetros físicos e organolépticos da água, além de análises laboratoriais mais complexas, incluindo a avaliação de metais, consideradas importantes para verificar possíveis alterações na qualidade da água em decorrência da ocorrência. As ações abrangem pontos de monitoramento nas proximidades do local do naufrágio, a montante e a jusante, além de um ponto de controle, permitindo uma avaliação técnica comparativa das condições da água”, descreveu nota do instituto.

Ibama fala de preocupação - Também em nota, o Ibama (Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis) informou que enviou técnicos para o local nesta manhã e lembrou que acidentes semelhantes ocorreram no passado. O órgão federal apontou preocupação com “possível dispersão de partículas minerais na água e à deposição de minério no leito do rio”, processos que podem provocar “aumento da turbidez, alterações na qualidade da água e impactos sobre organismos aquáticos, especialmente peixes, ovos, larvas e espécies que habitam o fundo do rio”.

O Ibama reforçou a necessidade da análise. “Embora a presença de minério não represente necessariamente contaminação química imediata, determinadas condições ambientais podem favorecer a liberação de metais presentes na carga, tornando necessária a avaliação das características físico-químicas da água e dos sedimentos. Entre as providências técnicas indicadas pelo Ibama, destacam-se: Identificação da quantidade e composição do minério eventualmente liberado no rio; Monitoramento da qualidade da água, incluindo turbidez, sólidos suspensos, oxigênio dissolvido e concentrações de metais; Avaliação da deposição de sedimentos e dos possíveis efeitos sobre a fauna aquática; Verificação de eventuais vazamentos de combustíveis e lubrificantes da embarcação; Acompanhamento ambiental das operações de recuperação da carga e da embarcação, visando evitar a ampliação dos impactos”.

A LHG explora ferro e manganês em Corumbá desde 2022. Em nota enviada no dia do acidente com a barcaça, a empresa disse que tomou as próprias medidas e está colaborando com as investigações. “A LHG Mining informa que está apurando as causas do incidente envolvendo uma barcaça de um armador parceiro, no Porto Gregório Curvo, ocorrido na manhã de sábado, e colabora com as autoridades na investigação dos fatos, bem como na adoção das providências cabíveis. Não houve vítimas ou pessoas feridas”, informou.

Água barrenta - Na última quinta-feira (29), moradores da comunidade tradicional Antônio Maria Coelho denunciaram o fluxo de caminhões da mineradora por relação com a água barrenta que saiu das torneiras durante toda a manhã. Presidente da Fundação de Meio Ambiente de Corumbá, Cristina Fleming explicou que uma equipe esteve na comunidade após as denúncias. “A Fundação de Meio Ambiente de Corumbá realizou a vistoria no dia da ocorrência e no dia posterior a ocorrência.

Será feito um laudo de constatação pelo técnicos até o final desta semana. Ainda estamos acompanhando as análises da água que abastece a comunidade, que serão realizadas pela empresa para monitoramento da qualidade”, detalhou. Quanto à água suja que chegou à comunidade Antônio Maria Coelho, a empresa relacionou o caso a chuvas recentes. “Em razão das fortes chuvas na região, a LHG Mining está ajudando a comunidade de Antônio Maria Coelho, que sofreu impacto devido ao escoamento de água das estradas”, pontuou.

Lama e poeira - Além do abastecimento da comunidade, a mineração é apontada como responsável por transtornos nas estradas e a cursos d'água da região de Antônio Maria Coelho, conforme o prefeito. As situações são denunciadas há mais de um ano e motivaram ações judiciais em andamento. O Dr. Gabriel citou também a comunidade Porto Esperança. Mais de 300 carretas circulam diariamente entre as minas e um porto próximo às moradias dos ribeirinhos que vivem lá. Ele destacou a poluição sonora pelo barulho dos bitrens e os impactos absorvidos pelas crianças que estudam na escola municipal que fica ao lado de uma estrada tomada por lama e pó de minério.

“Nossas crianças merecem mais respeito, devem ter segurança e condições dignas para aprender. É preocupante o que assistimos, o fluxo de veículos é intenso”, alertou. O chefe do Executivo finalizou dizendo em nota que “toda atividade econômica deve assumir suas responsabilidades” e que “a defesa de Corumbá passa pela defesa da nossa gente, dos nossos rios e do nosso Pantanal”.

Fonte: Campo Grande News

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