Aos 73 anos, Wilson estaciona Biz e mata a fome de quem vai trabalhar
Em um cruzamento abaixo da Avenida Guaicurus, Wilson Conceição de Miranda, de 73 anos, é o socorro matinal para o pessoal que precisa de um salgado e um café preto para encarar o dia de trabalho. Com uma moto Biz vermelha, ele encontrou um cantinho para estacionar, montar seu ponto de venda e alimentar quem passa por ali logo cedo. Há 15 anos, Wilson começou a vender salgados pelas ruas de Campo G
Redação Diário Pantanal
04/11/2026, 08:30

Em um cruzamento abaixo da Avenida Guaicurus, Wilson Conceição de Miranda, de 73 anos, é o socorro matinal para o pessoal que precisa de um salgado e um café preto para encarar o dia de trabalho. Com uma moto Biz vermelha, ele encontrou um cantinho para estacionar, montar seu ponto de venda e alimentar quem passa por ali logo cedo. Há 15 anos, Wilson começou a vender salgados pelas ruas de Campo Grande. Ele conta que rodava de um lado para o outro da cidade e sempre conquistava clientes e fazia amizades.
O problema era que boa parte das vendas acontecia no famoso fiado. "Você andando, vê um monte de fiado e fiado você não recebe. Fiado é bom para vender, você vende bastante e arruma amizade. Depois você não recebe e arruma inimizade", conta. Foi depois de perceber que trabalhar e não receber não compensava que ele decidiu mudar de estratégia. Abandonou o fiado, parou de rodar pela cidade e escolheu um ponto fixo. Há quase cinco anos, estaciona a Biz vermelha na esquina das Ruas Visconde de Cairu e Filomena Segundo Nascimento, perto do Terminal Guaicurus, e atende quem passa por ali.
Segundo ele, agora, o pagamento é só em dinheiro ou Pix. "Você ganha menos, mas não perde. E não ganha inimizade também", resume. O cardápio é daqueles que resolvem a fome de quem está com pressa e na Biz ele carrega duas caixas térmicas. Em uma vão os salgados fritos e em outra os assados. Entre as opções diárias Wilson vende pastelão de frango, pastelão de presunto e queijo, pão italiano, esfiha e coxinha de carne. “Cada salgado custa R$ 6 e para acompanhar, tem suco por R$ 1 o copo e café por R$ 2”, explica.
Entre os mais procurados estão o pão italiano e o pastelão frito. O empreendedor conta que a clientela é formada principalmente por trabalhadores que aproveitam a parada para comer alguma coisa antes de seguir para o serviço. Para deixar tudo pronto, Wilson começa a trabalhar às 3h30 da manhã. “Eu faço o café, os sucos, lavo as vasilhas e espero os salgados ficarem prontos. Por volta das 6h40 e já estou no ponto para começar as vendas”, destaca. A rotina é de segunda a sábado e o horário de encerramento depende do movimento.
Tem dia em que ele vai embora às 9h, em outros fica até 10h ou 11h. A disposição chama atenção principalmente porque Wilson já passou dos 70 anos. Aos 73, ele conta que sente dores nas pernas e, por isso, sempre deixa uma cadeira por perto para descansar quando precisa. Mesmo diante das dificuldades, ele garante que não pensa em parar de trabalhar. "Se eu parar, eu vou morrer. Eu cheguei à conclusão. Quero continuar trabalhando até quando Deus deixar", afirma. Antes de vender salgados, Wilson já trabalhou em empresas, mas também passou décadas ganhando a vida nas ruas.
Nos anos 1970, 1980 e parte dos anos 1990, ele conta que vendia frutas pelo Centro de Campo Grande, empurrando um carrinho. “ Depois de um tempo eu passei anos vendendo vassouras com uma bicicleta cargueira azul que eu tinha. Na época, fiquei conhecido pelo apelido de "Grandão". Muita gente me conhecia por esse apelido na rua”, detalha. Há cerca de 15 anos, deixou as vassouras para investir nos salgados. A atividade deu certo e, desde então, não largou mais. “Sou pai de quatro filhas e continuo cumprindo minha rotina por aqui, faça chuva ou faça sol até eu ter disposição”, finaliza.
Fonte: Campo Grande News


