Diário Pantanal
—
Campo GrandeConsultando tempo…

Advogada e marido policial são alvos de operação por vazamento de dados ao PCC

Uma advogada e o marido dela, policial militar, foram alvos da Operação Consorte, que o Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) deflagrou nesta quinta-feira (29), em Campo Grande e Dourados. O casal é investigado por integrar o PCC (Primeiro Comando da Capital) e atuar em esquema de vazamento de informações sigilosas da segurança pública para integrantes da facção crimin

Redação Diário Pantanal

29/10/2026, 12:30

Advogada e marido policial são alvos de operação por vazamento de dados ao PCC

Uma advogada e o marido dela, policial militar, foram alvos da Operação Consorte, que o Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) deflagrou nesta quinta-feira (29), em Campo Grande e Dourados. O casal é investigado por integrar o PCC (Primeiro Comando da Capital) e atuar em esquema de vazamento de informações sigilosas da segurança pública para integrantes da facção criminosa. Os nomes não foram divulgados. A operação corresponde à terceira fase da Operação Courrier, que revelou a atuação da chamada “Sintonia dos Gravatas”, grupo de advogados suspeitos de usar o acesso a presos para transmitir mensagens e ordens de lideranças criminosas.

Nesta etapa, o Gaeco saiu às ruas para cumprir os dois mandados de prisão e três de busca e apreensão. Segundo a investigação, o policial militar utilizava suas credenciais funcionais para consultar sistemas restritos da segurança pública. Ele fornecia as informações à esposa, que, por sua vez, as repassava a integrantes do PCC. O Ministério Público investiga os crimes de organização criminosa, corrupção e violação de sigilo funcional. A operação contou com a participação da Corregedoria da Polícia Militar e da OAB-MS (Ordem dos Advogados do Brasil, Seccional Mato Grosso do Sul).

O nome Consorte faz referência ao vínculo matrimonial entre os investigados e à suspeita de que ambos atuavam em parceria para beneficiar a organização criminosa. Investigação começou em 2022 A Operação Courrier começou em 25 de março de 2022, quando o Gaeco identificou uma rede de advogados e servidores públicos suspeitos de prestar serviços ao PCC. Na ocasião, as equipes cumpriram 38 mandados judiciais em Campo Grande, Dourados, Jardim e Jaraguari. As investigações apontaram a participação de 15 advogados na chamada Sintonia dos Gravatas.

Quatro deles acabaram presos na primeira fase da operação. O grupo, conforme o Ministério Público, tinha integrantes que atuavam como mensageiros da facção e intermediavam a comunicação entre presos e criminosos em liberdade. Os investigadores identificaram duas modalidades de atuação. Enquanto alguns profissionais cuidavam dos processos judiciais, outros transmitiam recados e ordens das lideranças criminosas. A apuração apontou ainda suspeitas de pagamento de propinas e movimentações financeiras para beneficiar integrantes da organização.

A investigação ganhou maior gravidade quando interceptações telefônicas e mensagens revelaram planos de atentados contra magistrados e integrantes do Ministério Público. Entre os possíveis alvos estavam um juiz e um promotor de Campo Grande. O Gaeco também identificou suspeitas de vazamento de informações sobre transferências de presos e consultas indevidas a bancos de dados oficiais. Esse tipo de acesso permitia que a organização criminosa obtivesse informações que deveriam permanecer restritas aos órgãos de segurança pública.

Defensor público também foi preso A segunda fase da Operação Courrier recebeu o nome de Maître e ocorreu em março de 2023. O principal alvo foi o defensor público Helkis Clark Ghizzi, pai do advogado Bruno Ghizzi, investigado desde a primeira etapa. O Gaeco cumpriu quatro mandados de busca e apreensão em 1º de março daquele ano. No dia 14, os investigadores prenderam Helkis, suspeito de manter ligação com a organização criminosa. Segundo as apurações, integrantes do PCC o chamavam de “Mestre”.

A Justiça autorizou a soltura do defensor público em julho de 2023, mediante pagamento de fiança de R$ 39,6 mil. Na época, o magistrado também determinou o uso de tornozeleira eletrônica e outras medidas cautelares, incluindo restrições ao exercício da função. A defesa de Helkis contestou as acusações e afirmou que demonstraria a inocência do defensor durante o processo. Condenações e absolvições Em março de 2026, a Justiça condenou três investigados da Operação Courrier por envolvimento com o PCC.

Entre eles estavam o advogado Bruno Ghizzi, o ex-chefe de cartório Rodrigo Pereira da Silva Corrêa e o detento Edimar da Silva Santana, conhecido como “Arqueiro do PCC”. Bruno recebeu pena de quatro anos, dez meses e dez dias de prisão. A investigação apontou que ele utilizava a condição de advogado para acessar presos e transmitir informações entre integrantes da facção. Rodrigo, que trabalhava na 1ª Vara de Execuções Penais de Campo Grande, recebeu a mesma pena. Conforme a sentença, ele aproveitava a função de confiança para repassar informações sigilosas ao grupo criminoso.

O TJMS (Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul) já havia determinado sua demissão em 2022. A Justiça condenou Edimar a cinco anos, oito meses e um dia de prisão. O magistrado considerou como agravante o fato de ele participar das atividades criminosas enquanto já cumpria pena. Na mesma decisão, a Justiça absolveu Douglas Silva Fonseca, Inaiza Herradon Ferreira, a advogada Paula Tatiane Monezzi e Ed Carlos Rodrigues Dias por falta de provas suficientes ou ausência de comprovação de participação nos crimes.

Bruno e Rodrigo receberam autorização para recorrer em liberdade. Já Edimar teve a prisão mantida. Uma semana antes da publicação da sentença, em 20 de março, o Tribunal de Ética e Disciplina da OAB-MS havia determinado a suspensão de Bruno Ghizzi do exercício da advocacia por 12 meses. Esquema de tráfico A Operação Courrier ainda deu origem a outras investigações sobre a participação de profissionais do Direito e servidores públicos em atividades criminosas. Uma delas foi a Operação Last Chat, deflagrada em abril de 2024.

Na ocasião, o Gaeco investigou uma organização suspeita de tráfico de drogas, comércio ilegal de armas e lavagem de dinheiro. Segundo o Ministério Público, o grupo tinha aproximadamente 40 integrantes e seguia ordens de Rafael da Silva Lemos, conhecido como “Gazela” ou “Patrão”. Ele utilizava contatos com advogados para transmitir comandos criminosos de dentro do sistema prisional. A investigação identificou mais de quatro toneladas de maconha, mais de 3 mil comprimidos de ecstasy, munições e equipamentos destinados a armas de grosso calibre.

O prejuízo estimado à organização criminosa ultrapassou R$ 9 milhões. A Last Chat cumpriu 55 mandados judiciais em Campo Grande, Ponta Porã, São Paulo (SP) e Fortaleza (CE).

Fonte: Campo Grande News

Leia também